sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O azul de Perito Moreno!

As vezes imagens falam por si só.













Boas festas a todos!

Parofes

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Vendo: Fujifilm Finepix S2800HD

Em estado de nova.

Vendo: Câmera Fujifilm Finepix S2800HD. Praticamente nova. Só estamos vendendo porque já tenho outras duas, fez no máximo 300 fotos e mais nada, está guardada e sem uso. Como nova e sem nenhum arranhão.
Caixa, manual, cabos, cartão de 4GB e alça original tudo incluso.







Interessados escrever para parofes@gmail.com com a proposta.

Parofes

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Curso de GPS e escalada básica em São Paulo - SP





Você que sempre sonhou em superar desafios, calibrar sua energia com a natureza e conhecer profundamente as belezas do mundo, então certamente seu sonho é escalar montanhas.

A escalada não é só um esporte, além do apelo competitivo, esta atividade presente na humanidade há tanto tempo, deixa aflorar muitos outros significados e motivações. Aventura, liberdade, contemplação... Estes são apenas alguns dos sentimentos que a escalada emana.

Começar, no entanto, não é fácil. Escalar pode ser difícil tanto física, quanto psicologicamente.

Para melhor formar escaladores, o AltaMontanha.com e o ginásio 90 graus de São Paulo se unem para divulgar um curso de escalada completo e rápido para quem está começando na atividade e quer aprender com objetividade. O curso abrange conceitos básicos da escalada em rocha, técnicas de ascensão e descenso, técnicas básicas de auto-resgate, bem como o manuseio e manutenção dos equipamentos utilizados e ética.

O curso terá carga horária de 16 horas, sendo 8 teóricas e 8 práticas. As aulas teóricas serão ministradas na Rua do Cursino em São Paulo e as práticas em Pedra Bela, 120 Km de São Paulo SP.

Dias do curso:
13 e 15 de Dezembro: aula Teórica na Rua do Cursino em São Paulo
17 de Dezembro: aula prática em Pedra Bela

Instrutores:
Os instrutores deste curso, além de serem amigos e parceiros de escalada, praticam montanhismo e escalada há diversos anos com experiência no Brasil e exterior. Todos tem grande conhecimento na área técnica da escalada com destaque especial para procedimentos de segurança. Além disso todos estão "na ativa", atualizados com as novidades da área e se aprimorando a cada dia.

Tacio Philip, 33 anos. Fotógrafo e empresário. Com mais de 10 anos de experiência em escalada em rocha e montanhismo escalou em diversos estados do Brasil e exterior, com destaque para região de São Bento do Sapucaí, Pedralva, Salinas, Rio de Janeiro, "Aguja de la S" em El Chalten na Patagônia Argentina etc, sempre com preferência para o estilo de escalada tradicional. Ainda possui no currículo cursos como "Resgate em Montanha" pelo Cosmo e "Avançado de escalada" com Eliseu Frechou entre outros.
Também é montanhista tendo escalado um grande número de montanhas do Brasil, com foco principal na Serra da Mantiqueira e algumas no exterior (Bolívia e Peru). Também realizou diversas travessias e expedições para montanhas pouco exploradas.
Mais informações no site www.tacio.com.br.

Pedro Hauck, 29 anos. Geógrafo e montanhista. Foi diretor de escalada da Federação Paranaense de Montanhismo e também do Clube Paranaense de Montanhismo, onde ministrou diversos cursos de escalada. É colunista e editor do Site AltaMontanha.com, um dos principais meio de comunicação do montanhismo em língua portuguesa.
Já participou de uma dezena de expedições à montanhas andinas, tendo alcançado cume em cerca de 30 montanhas de altitude. Possui ampla experiência em escalada em rocha no Brasil, já tendo escalado em diversos Estados, desde O Rio Grande do Sul até o Nordeste.
Mais informações no site www.pedrohauck.net.

Victor Carvalho, 27 anos. Oficial do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. É instrutor no Clube Alpino Paulista de Escalada Avançada em Rocha. Possui Curso de Escalada em Gelo e Deslocamento em Glaciares, pela ?Andes Ascenciones? (Argentina).

Pelo Brasil já escalou diversas vias na Pedra do Baú, Dedo de Deus, Agulha do Diabo, Pedralva etc. Já escalou diversas vias no Rio de Janeiro e Minas Gerais, em locais como: Pão de Açúcar, Corcovado, Pedra da Gávea, Urca, Babilônia, Parque dos Três Picos, Serra do Cipó, Andradas, região de Itajubá, entre outros locais.

No exterior, realizou escaladas técnicas na região de El Chaltén, patagônia argentina. Já realizou diversas travessias de montanha no Brasil e exterior, como a Travessia Marins-Itaguaré, Petrópolis-Teresópolis e Serra Fina. Fora do país realizou a trilha Inca (Peru), além de caminhadas diversas em Torres Del Paine (Patagônia chilena), Parque Nacional los Glaciares, Parque Nacional Tierra Del Fuego e Cerro Tronador, na patagônia argentina.

Mais informações no site www.victorcarv.blogspot.com.

Investimento:

R$ 450,00 à vista ou 3 parcelas de R$ 165,00.

Incluso no curso instrução personalizada, equipamentos de segurança certificados e em excelente estado de conservação e material didático.

Não está incluso alimetação e deslocamento até a sala de aula e local da aula prática, sendo organizada entre os instrutores e alunos no decorrer do curso.

É desejável que o aluno tenha sapatilha de escalada, caso tenha dúvida entre em contato! Veja mais detalhes do curso.

Inscrições abertas pela página de contato.
Curso de GPS

Além do curso básico de escalada, no dia 18 de Dezembro será realizado o Curso de Navegação com GPS Garmin recomendado pelo site Rumos: Navegação em montanhas!

Este curso, ministrado pelo geógrafo e montanhismo Pedro Hauck, é focado para usuários de GPS de navegação que utilizam o aparelho em atividades outdoor, como montanhismo, corrida de aventura, canyonismo, parapente, caiaque entre outros.

O curso abragerá todos os principais conceitos de GPS, seu funcionamento e os principais programas para edição e tratamento de dados para GPS (veja mais detalhes).

O curso de Navegação com GPS Garmin tem o custo de R$ 250,00.

Inscrições abertas pela página de contato.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

27 minutos em 1:26 minutos?/ 45 minutos em 2:43 minutos?

Um vídeo acelerado do nascer do sol visto do topo da Pedra das Flores de Extrema/ MG. Desde o meu ponto de bivaque. De 27 minutos de filmagem, acelerando obtive 1:26min.

Não ficou tão bonito quanto eu queria porque apesar de estar ventando muito, as nuvens não se moviam praticamente, então não dá aquele efeito legal de velocidade. Mas ficou satisfatório...



Agora um vídeo acelerado do nascer do sol visto do topo da Pedra das Flores de Extrema/ MG. De 45 minutos de filmagem, acelerando obtive 2:43min.

Ficou melhor esse!



Abrazos a todos,

Parofes

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nova coluna na Go Outside

Leiam a nova coluna do altamontanha no portal da UOL Go Outside, texto de minha autoria:

"Febre do cume"
(clique na imagem para acessar)



Boa leitura!

Parofes

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Bivaque ao vento na Serra do Lopo

Com saudade daquela pequena pitoresca serra, saí de São Paulo sábado de manhã só pra passar uma noite no alto da Serra do Lopo entre os municípios de Extrema e Joanópolis de Minas Gerais. O objetivo era simples: Fotos e tranqüilidade...

Viagem mais curta pra montanha desde São Paulo só indo até o Pico do Jaraguá mesmo. Extrema fica exatamente a 83 kms da capital em linha reta, por estrada dá 106 kms. Bem rapidinho, saindo da Tietê pela Viação Cambuí o tempo de viagem é menor do que o tempo que levo pra chegar ao trabalho todo dia que me custa longos 100 minutos em média. De SP até Extrema dá só 80 minutos.

Chegando lá há uma escolha simples à fazer: Subir os 10 kms da estrada da Embratel a pé ou pagar um táxi. Da última vez que subi a pé cansei e acabei bivacando na estrada mesmo, arriscando até ser atropelado por algum carro durante a noite. Dessa vez resolvi facilitar as coisas, paguei um táxi até as torres, pra que suar no sol e no calor de trinta graus desnecessariamente? Parece que existe uma trilha que sobe pela Pedra do Sapo, mas não conheço e não consegui informações então fui motorizado mesmo.

Bem rápido cheguei às torres da Embratel. Dali desci uns 100 metros até o portal da entrada da Pousada Céu da Mantiqueira, ali a esquerda do portão sai uma trilha secundária pro Lopo, sendo a trilha que sai da pousada a principal. Troquei de roupa e entrei na trilha sozinho, escutando conversações na mata.



Pouco tempo depois cheguei até a Pedra das Flores, andando calmamente pra prolongar a trilha propositalmente já que é muito curta. Queria curtir o mato, já estava com saudades...


Pico do Lopo, montanha muito fácil e deveras bonita!


Chegando na Pedra das Flores, esbarrei com dois grupos, um guiado de sete pessoas que logo seguiu pro Lopo, e um grupo composto de três casais que já estavam de barraca armada na Pedra. O primeiro grupo era meio família, todos educados, curtindo o local e a beleza daquela serrinha agradável. O segundo grupo era bem diferente.
Bom, sentei afastado, fiz um lanche rápido, peguei minhas tralhas e quando comecei a andar vi o grupo subindo a rampa final pro cume da montanha, daí segui pro Pico do Lopo, onde cheguei vinte minutos depois.


A cinco minutos do Lopo esta é a visão do grupo de boulders do topo


O grupo mais família ainda estava no cume fazendo fotos e curtindo o vento forte de lá. Essa montanha tem forte incidência de ventos, pelo que sei sempre foi assim.

Fiz umas fotos, uma panorâmica, um vídeo. Curti um pouco e comecei a descer. Na descida ainda encontrei engarrafamento deste mesmo grupo que começou a descida antes de eu cerca de dez minutos. Na verdade eu tinha a idéia de bivacar no cume do Lopo mesmo, mas pensei um pouco e mudei de opinião. O local que cabe uma barraca certamente me serviria pra bivaque, mas estava com muita areia e o vento começava a sacudir tudo aquilo, mudei de idéia procurando um local limpo e a opção obviamente é a Pedra das Flores, limpa e relativamente plana.




180 graus de visão do cume do Lopo. Destaque para o Pico do Selado a esquerda a só 31kms de distância


Cheguei de volta lá sob um calor forte, uns 30 graus e com vento fraco ainda. No Lopo venta bem mais forte. Escolhi meu canto de bivaque, afastado dos três casais uns vinte metros, organizei minhas tralhas e só esperei o pôr do sol, que ainda demoraria mais umas cinco horas!

Nossa, torrei no calor...Mas até dei uma cochilada, joguei sobre o rosto minha toalha e fui embora, cochilei acho que uma hora direto, o vento aumentou um pouquinho e ficou até suportável o sol. Bem, certamente mais suportável do que dentro de uma barraca onde o calor do sol seria muito pior.

As horas passaram e comecei a me preparar pras fotos do pôr do sol e o vídeo do pôr do sol. Então levei as duas câmeras e enquanto uma filmava, eu clicava com a outra. Foi bom e dinâmico, tenho feito isso, levo duas câmeras e pelo menos um tripé comigo.


O começo do pôr do sol...



Que espetáculo...


Nessa hora um rapaz do grupo veio falar comigo, perguntando se a fogueira que havia no acampamento ao lado de um grande boulder ali era minha (???). Claro que não, nunca faço fogueira. Mas fui sucinto na minha resposta. Depois de mais um tempo ele voltou e me convidou a me juntar a eles pra bate papo, que tinham vinho e etc. Eu disse que iria e até pretendia bater um papo antes de dormir, mas depois disso o que rolou me desencorajou e até me causou repúdio ao impulso de passar no acampamento deles em busca de papo “pré-sono”.

Ligaram som e começaram a beber, durante o dia mesmo de cada cinco palavras que falavam duas eram palavrões. Na bebedeira, a cada dez, sete ou oito eram palavrões. Depois de um tempo começaram a disputar qual namorada fazia barulho mais alto durante o coito. Gente, que nível...Fiz questão de não ir até as barracas e me deitei se não me engano era 20:15h, apaguei de sono.

Acordei assustado com o vento às 22:45h, nossa, como ventava...E a farra do boi continuava ao lado, agora já estavam todos bêbados, e a festa bovina continuava a toda. Espero que pelo menos os preservativos, se foram usados, tenham sido recolhidos e levados com o grupo pra descarte correto.

Filmei o nascer do sol, mais 27 minutos de vídeo guardados para edição futura. Enquanto filmava com a Sony fotografava com a Canon. E não é que apesar de mais peso é interessante carregar duas câmeras? Gostei da idéia e já faz algum tempo que ando praticando a estratégia.




O nascer do sol, como pode tanta beleza e tranquilidade tão perto de SP???


Quando acabei meu trabalho arrumei tudo e quando deu 06:37h coloquei o pé na trilha voltando pra casa, aproveitando a temperatura amena da manhã de 8 graus celcius. Perfeita pra caminhada leve de retorno. Cheguei de volta ao portal da pousada Céu da Mantiqueira era 07:40h. Dei uma ajustada na mochila, comi duas bananadas de café da manhã e comecei a longa descida de 10 kms até a cidade.

Cheguei na rodoviária às 10:15h. Desci rápido até. Dessa vez nem cansei tanto quanto da última vez que desci andando a estrada do Caparaó, que é consideravelmente menor do que a da Serra do Lopo. Tinha passagem pra 15:30h mas consegui trocar sem grilo nenhum pra 13:00h, ufa que beleza! Pelo menos dessa vez deu tudo certo e pude voltar pra casa com tranqüilidade e com muitas fotos bonitas.

Esperava ter alguma companhia pra bater um papo na Pedra das Flores, mas que essa companhia fosse pelo menos respeitosa com a busca de outrem por silêncio, desfrute da natureza e de um belo pôr do sol, infelizmente não encontrei isso. Mas faz parte. Mesmo assim, consegui me abstrair e gozar de certa tranqüilidade com um bivaque iluminado por estrelas e uma lua deveras brilhosa. Se você busca o mesmo, dê uma passada na Serra do Lopo, é perto, belo, serrinha merecedora de prestígio montanhista.

Chego a refletir um pouco sobre o comportamento de excursionistas/ campistas nas montanhas. É impressionante, será que o nosso comportamento é que é o anormal? Porque é tão, mas tão comum ver este tipo de coisa (som alto, bebedeira, etc), que chego a relativizar o que eu mesmo classifico como normal e respeitoso. Será que eu é que sou o errado? Será que o que as outras pessoas como estas e tantas outras fazem é o tido como “comportamento de acampamento” correto digamos assim?

Hum...Não sei. Mas tenho certeza de uma coisa: Gosto mais do meu jeito, do nosso jeito montanhista.

Abrazos a todos,

Parofes

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PN Caparaó - Solidão - Ventos de 100km/h.

Bem pessoal,

Como sabem que ficou faltando na minha última visita ao Caparaó conhecer a Pedra Roxa (QUEM LÊ MEUS RELATOS SABE), lá fui eu no final de semana passado, sozinho, deixando São Paulo quinta-feira à noite.

Longa viagem de novo, segundo ônibus, cheguei a Alto caparaó, por volta de 09:30h da manhã de sexta-feira. Consegui reencontrar o jipeiro Valdir que me ajudou na última vez, e subimos juntos pro tronqueira com tempo completamente nublado, bem diferente da previsão que dava praquela sexta-feira sol até o final da tarde.

Tinha um pouco de vento, fraco. Bastante umidade e solidão. Eu era a única pessoa subindo pro Terreirão, não havia ninguém descendo mas havia um único carro estacionado ali com placa de Niterói. Era 11:10h.


Primeira foto do dia


Subi tranquilamente, mas com alguma pressa já que pretendia ir até a Pedra Roxa na sexta-feira mesmo pois pro sábado o tempo iria se deteriorar bastante de acordo com o mountain weather forecasts, climatempo e tempoagora.

Quando cheguei no terreirão pouco depois de meio dia não havia ninguém. De novo, estava completamente só ali.



Fiz meu almoço, montei a barraca, preparei a mochila, e quando deu 13:00h avaliei o tempo, estava relativamente bom, nublado mas bom, pouco vento, e pressão estável. Fui pra Pedra Roxa.



Usei as orientações do arquivo que o Tácio me passou, e novamente estava tudo muito preciso. Seguindo a trilha do Bandeira, logo depois do poste, encontrei um casal e seu guia (que já me conhece de outra oportunidade) descendo do cume, únicas pessoas ali. Disse um oi e segui meu caminho até próximo ao ponto marcado pelo Tácio com nome "sai Pedra Roxa". Saí da trilha para a esquerda em linha reta, sempre margeando as lajes do Bandeira, sem descer, sem subir.

Até há um pouco de mato difícil de se passar, mas não muito, já encaramos muita coisa pior e mais alta. O mato não passava de um metro de altura, só isso, então foi quase um passeio mesmo eu estando completamente fora de forma pela inatividade. Confiante de tempo bom, não me apressei mais.


Prova de que o tempo estava até bom, tinha céu azul quando fui! Daí até o colo faltava 20 min



Única panorâmica da viagem. O céu já não tinha mais azul.


Deu exatamente 960 metros de linha reta até o colo entre o Bandeira e a Pedra Roxa, onde há no lado direito uma rocha muito curiosa no formato de uma boca (uma laca caiu e o que ficou parece uma boca aberta).

Enquanto eu fazia o ataque final pra Pedra Roxa, já por volta de 15:00h, o tempo mudou absurdamente. Muitas nuvens vieram por detrás do colo e fecharam tudo. 15:30h eu cheguei ao cume já cercado por uma bruma quase impenetrável. Ao longe, eu escutei alguns trovões. "Pronto, lascou" pensei.

Na ída minha intenção fotográfica já foi quase nula, fiz cerca de 10 fotos só. Quando cheguei ao totem do cume então, efetivamente nula. Nem um vídeo eu fiz. Não se via nada e assim fica até difícil conseguir foco com a câmera já que se perde o referencial por causa da bruma. Que merda...

Fiquei tão frustrado...Pensava que indo na própria sexta além de fazer cume teria a vista privilegiada da face leste do Bandeira, ha! Que ingênuo eu, minha visibilidade não passava de cinco metros.

Comecei a descer mesmo sem registro. Quase chegando ao colo fiquei abaixo da camada de neblina forte, e notei que havia perdido TODA orientação visual, que ótimo não?

Daí sim fiz um vídeo. Fiquei tão, mas tão aborrecido...2250 kms de viagem (ida e volta) pra isso?



Depois do video fui voltando sempre me orientando pelos pontos do tácio no GPS e por uns 2 ou 3 que eu mesmo fiz em locais estratégicos em caso de dúvida na volta. Ali, naquelas condições climáticas, tudo fica igual.

Felizmente consegui voltar tranquilamente até o ponto do Tácio e entrar na estrada que é a trilha do Bandeira. Dali até minha barraca foi um pulo. Cheguei ao acampamento era 17:59h.

O vento já estava fortíssimo, nada comparado à brisa que tinha quando cheguei. Eu continuava só apesar de o guarda-parque me dizer que havia reserva de 2 grupos pra chegada na sexta-feira.





Jantei, dei uma arrumada na barraca, e o vento sacodia tudo. Definitivamente a frente fria já havia chegado com força. A temperatura caiu rapidamente de cerca de 10 graus pra 2 graus, fazia um baita frio por causa da sensação térmica que era obviamente negativa com todo aquele vento.

Me recolhi à barraca por volta de 19:30h, dormi. Aliás, demorei muito pra dormir por causa da barulheira do vento no mato e na barraca.

Acordei meia noite, abri a barraca e olhei pra fora, muito vento mas céu estrelado! Tive esperanças de tempo melhor pro sábado, jantei de novo (ê laiá kkkkk) e voltei a dormir. Mesmo morrendo de saudades da Lili (nos casamos no civil na semana anterior) se o tempo melhorasse, talvez eu arriscasse voltar lá.

Quando acordei, às 06:00h, parecia outro mundo, outro acampamento. Minha barraca estava junto à vegetação perto da mesa de madeira, distante cerca de 8 ou 9 metros do banheiro, e eu não podia vê-lo!!!

Ventava muito forte, chuto entre 80 e 100km/h de vento. Minha barraca chegava a dar aquela meia deitada mesmo com amarras fixadas no chão. Chovia aquela chuvinha fina chata que molha bastante a longo prazo, mas pelo menos não era aguaceiro. Comecei imediatamente a arrumar tudo dentro da barraca em sacos plásticos e depois colocar dentro da mochila. Saí da barraca e coloquei a mochila debaixo das pias do lado de fora do banheiro. Fiz isso umas três vezes levando as coisas até que fui desmontar a barraca. Isso então tive que fazer com a ajuda de pedras pra não deixar que fosse voando e depois virar matéria cômica com e-mails inusitados (piada interna do Altamontanha hehehe).

Pra guardar a barraca, encharcada obviamente, precisei usar o banheiro feminino por causa do vento do lado de fora. Quando terminei de arrumar tudo era 07:00h. Um Quati veio me visitar, curioso, neste momento o vento diminuiu consideravelmente, a chuva quase parou, a neblina amenizou a quase zero, mas o tempo ainda estava detestável. Até um casal de carcarás estava ali curioso. Quase inacreditável a mudança do tempo em apenas uma hora.

Coloquei a mochila nas costas e comecei a descer às 07:09h. Logo que passei por trás da casa de pedra e entrei na trilha recebi uma rajada de vento e caí pela primeira vez. Ali já é de frente pro vale, o chão estava escorregadio e o próprio vale canaliza vento e o torna mais forte. Por sorte foi um tombo bobo, levantei e continuei a descer.

Desci bem rápido, querendo ficar seco logo, estava frustrado com tudo aquilo, e a rapidez associada ao vento me fez chegar ao chão outras duas vezes. Nossa, se pelo menos eu tivesse com quem conversar isso seria menos pior. Ninguém por perto.

Cheguei ao Tronqueira exatamente 08:00h. Nem parei direito, só tirei o fleece grosso por causa do calor e voltei pra estrada pra descer andando tudo até a cidade.

Contei passos, carneirinhos, etc. Passei por um ecosport subindo, imagino o que aquele cara iria fazer com a namorada lá em cima com aquele tempo implacável que fazia. Onde eu estava, na estrada, já era só tempo ruim nublado e sem chuva. O pior já passara.

Passei por um segundo carro, uma mãe e duas filhas adolescentes em uma fiat uno antiga. Pediram informações, dei e continuei descendo.

Joelhos doem, ombros doem, o suor escorre, e a frustração aumenta. Cheguei à portaria do parque às 09:55h. Dei baixa com o guardinha, voltei a andar pra cidade, mais uns 2,5kms.

Cheguei na pracinha 10:35h bastante cansado já, suado feito um porco, faminto. O próximo ônibus pra Manhumirim era só 13:00h...comi salgadinhos e coca-cola, fiquei na pracinha sentado no banco, sequei as roupas no calor dali. O Valdir passou de jipe, parou e batemos um papo, ele me convidou pra almoçar com a família dele mas não daria tempo, eu perderia o ônibus. Nos despedimos e quando deu a hora fui embora.


Sentado no banco da praça fiz essa foto


Dali em diante foi uma verdadeira epopéia voltar pra casa, não consegui trocar minha passagem de domingo pro sábado pois não havia vaga no ônibus, tive que ir pra uma outra cidade, pegar um outro ônibus pra 21:00h rumo a São Paulo. Foi uma loucura...muitas variáveis que nem vou contar aqui porque vai ficar longo e sacal...kkkk

Enfim, fiz cume na Pedra Roxa? Fiz mas não fiz. Preciso voltar pra registrar e ter o visual, não gosto de chegar ao topo só por chegar, não vale de nada. Onde está meu prazer de montanhista? Foi pro saco nessa...

Preciso voltar.

Abrazos

Parofes

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

2º Curso de GPS com navegadores Garmin em Curitiba!




O curso de GPS com navegadores Garmin é focado na utilização em trilhas para esportes de aventura. Será ministrado no sábado, dia 19 de Novembro de 2011.

O curso de GPS é focado nos navegadores Gamin com ênfase nos esportes de aventura, como montanhismo, escalada, trekking, corrida de aventura, Mountain bike e ciclismo e geral, Parapente, 4x4 e outros. Além deste foco principal, o curso também enfatiza a utilização urbana e rodoviária.

Conteúdo do Curso:

- Explicação básica do sistema de satélites, da margem de erros e do novo sensor SirfStar III
- Tipos de GPS e modelos de navegadores Garmin
+ Introdução aos programas de GPS, Garmin MapSource, TrackMaker e Google Earth
+ Mapas de fundo para GPS: Mapas urbanos e rodoviários; Cartas topográficas. - Onde baixar e como instalar no GPS
+ Mapas com trilhas de montanhas, onde baixar e como fazer upload
+ Navegação com GPS
- Navegação urbana com mapas roteados
- Navegação urbana com mapas não roteados- Descobrindo radares de velocidades em cidades e estradas
- Navegação em trilhas
- Função Track Back
+ Armazenando dados do GPS
- Planejando uma saída à campo com o Google Earth e com uma carta topográfica digital
+ Transferindo os dados GPS para o computador
+ O problema da sobreposição dos trajetos. O armazenamento como pen drive USB
+ Visualizando o trajeto e os pontos do GPS no Google Earth. Como transferir dados do Google Earth para o GPS

Onde e quando o curso será realizado?

Em Curitiba o curso será realizado no Clube Paranaense de Montanhismo. Rua Flávio Dallegrave 5044 – Boa Vista: Dia: 19/11/2011, 8:00 – 12:00, 14:00 – 18:00.

Como o curso é ministrado? O curso é realizado através de aulas expositivas com datashow e aulas práticas em campo com o navegador GPS (Recomendado o aluno possuir um GPS Garmin).

Quem é o professor? Pedro Hauck, geógrafo, mestre em Geografia Física e montanhista. Veja o currículo acadêmico e esportivo.

Investimento: R$150,00
Sócios do CPM tem 50% de desconto.
Veja como se associar

Mais informações

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Personalidades ligadas a montanha

Quem foi Florentino Ameghino?

É de costume em qualquer lugar do mundo uma cidade, uma escola, um edifício, ou até mesmo uma rua ter o nome de uma personalidade importante. A cegueira que o Cerro Aconcágua gerou nos que visitam o parque no decorrer das últimas décadas sobrepuja até mesmo a curiosidade humana. Você conhece o vizinho do Aconcágua, o Cerro Ameghino? Já ouviu falar? Sabe o motivo pelo qual se chama assim? Vamos ler uma rápida síntese da vida deste que foi um importante nome na História Intelectual Argentina, e que teve seu nome dedicado a segunda montanha mais alta dentro do Parque do Aconcágua.

Para continuar a ler a matéria, acesse: http://www.altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=3108

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

E mais uma pro Rumos

Esqueci de atualizar o blog com esta:



Minha última contribuição pro Rumos: Vulcão Palpana

Link: http://www.rumos.net.br/rumos/rumo.asp?cdNot=186

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Feriado em casa!

Pois é...

Feriado em quarta-feira de nada adianta pra viajar, então encontrei a lili, almoçamos juntos no shopping, e quando voltei: Bum! O tiro comeu no monitor de 22".

Vídeos do divertimento garantido em casa com Call Of Duty Modern Warfare 2!














É iso aí, tiro nos terroristas! :)
Daqui ha 2 semanas mato a fome de montanha se o tempo permitir.

Abrazos a todos

Parofes

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Maximo no cume do Shishapangma!

Informações preliminares retratam que ontem, dia 04/10, Maximo Kaush culminou a 14ª montanha mais alta do mundo, o Shishapangma.

Para ler a respeito, acesse: http://www.altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=3080

Parofes

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nova cara do Blog

Só pra mudar um pouco...

Abrazos a todos

Parofes

terça-feira, 27 de setembro de 2011

GOOGLE CHROME COM AVISO DE MALWARE

Pessoal,

Quem visita meu blog notou que o google chrome está deixando uma mensagem de aviso de malware propagado pelo meu blog. Errado, nada disso. (Tácio valeu pelo aviso!)

Na verdade, um dos blogs de minha lista pode estar de fato está propagando um malware, infelizmente não sei qual é.

Outra linha de pensamento é que o próprio blogger esteja com algum erro de script, linha de comando, ou sintaxe.

Portanto deixo avisado aqui que nada há de errado no meu blog, nenhuma configuração foi alterada e nenhum programa ocultado aqui.

Abrazos a todos,

Parofes

Antes tarde do que nunca

Pessoal,

Andei afastado do blog e das montanhas por muito tempo. Tempo demais pro meu gosto.
Finalmente, depois de consecutivos problemas de saúde respiratória, hoje posso dizer que me sinto recuperado.

Foi uma sequência de inflamações que me deixaram super pra baixo, que acredito ter acabado. Infelizmente, acabaram as infecções junto dos últimos dias do inverno, e agora estamos na primavera, logo logo voltam as chuvas pra mantiqueira e então fico de molho de novo em casa, ou de molho nas montanhas.

A vida anda bastante conturbada, muitos preparativos pra alguns eventos, viagens futuras, além de muito, muito trabalho.

Este mês não posso fazer mais nada, nas primeiras semanas de outubro também tenho diversos compromissos...Mas mesmo assim vou tentar dar uma fugida pra montanha se o tempo deixar lá pro final do mês.

Que venham dias melhores...

Abrazos a todos, e muita sorte pro Max que tentará cume no Shishapangma estes dias! Sorte também pros seus clientes da expedição.

Nesse meio tempo, não deixem de ver a minha última contribuição pro Rumos:

LINK: http://www.rumos.net.br/rumos/rumo.asp?cdNot=185


Agulha de Gouter e Dome de Gouter, dois cumes europeus do maciço do Mont Blanc!


Parofes

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Até quando vamos ser tratados como bandidos?

Durante os últimos anos uma coisa pude observar, infelizmente: O extrativismo é protegido e aceito por debaixo dos panos. O Montanhismo e montanhistas são vistos como perigosos, algo que causa muito impacto ecológico. Palmiteiros, caçadores, todos estes são tratados com educação pelo direito brasileiro, derivado do romano. Nós somos escorraçados, privados de nossa liberdade de ir e vir prevista na Constituição Brasileira de 1988. Por que?

Continue a leitura na minha coluna no altamontanha: http://www.altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=3039

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Em busca do frio extremo brasileiro

Afinal, quais são as condições ideais para queda de neve? De acordo com definições, as nuvens são formadas por vapor de água quase em estado de condensação nos momentos que antecedem a chuva. Caso o ar esteja, por alguma razão do clima local, mais frio que o ponto de congelamento da água (como quando há uma massa de ar polar na região), em vez de chover, neva. Se a inversão térmica for muito forte e a densidade das nuvens for muito alta (regiões tropicais), pode cair granizo em vez de flocos de neve. Depois de mais um mês parado fui correr atrás do frio extremo brasileiro, e com pensamento positivo de ter a sorte de ver neve brasileira.

As vezes comento com amigos que no Brasil o frio é pior do que nos Andes comparando a diferença absurda de altitude, principalmente Andes vulcânicos desérticos que é o caso do Atacama, minha região preferida para ascender grandes montanhas sul-americanas. Nos Andes atacameños a umidade é quase nula, a sensação térmica (que pode ser intensificada com umidade e vento) quase sempre é maior do que a temperatura real por causa do vento que lá, quase nunca para. Já peguei no vulcão Sairecabur temperatura  absoluta  de -12°C com muitos ventos o que deixava a sensação a -25°C. Já peguei escalando geleira na Bolivia -15°C absolutos com pouco vento e com isso sensação de cerca de -18°C. No Mont Blanc na França, a temperatura real no cume era de só -9,5°C, mas com o vento, até meus pensamentos pareciam congelar. No Brasil, sempre temos umidade alta salvo em algumas semanas consecutivas em que uma massa de ar seco insiste em pairar sobre nossas terras, mas no geral, temos sempre mais do que 90% de umidade relativa do ar.

Por causa disso podemos sentir regularmente frio tão forte na região da Mantiqueira (onde já registrei não oficiais -8°C no Vale do Ruah em 2007). Em um dos dias mais frios do final de julho, em Urupema, a umidade e o vento associados aos reais -7,8°C geraram uma sensação térmica calculada de incríveis -26°C! Nem parece terra do samba e do futebol.

Depois de tanto tempo esperando por uma oportunidade, resolvi começar a monitorar a previsão do tempo e entrada de massa de ar polar vinda da Argentina, sujeito oculto da sentença “Frio abaixo de zero atinge sul do país”. Encontrei um blog muito legal de um xará meu que é meteorologista de Santa Catarina, e atualiza o blog a cada dois dias com tudo que pode, cheio de informações lapidadas, repletas de mapas especializados. Pronto! Só me faltava esperar.

Mas afinal, o que é “sensação térmica”,  ela é mesmo somente sensação?

Não. Definitivamente sensação térmica não se limita ao significado literal de sensação (sentir porém não ter efeitos colaterais). O corpo sente o frio e reage a este frio. Assim sendo, os riscos eminentes apresentados ao corpo humano diante de uma temperatura de -5°C, sem umidade e sem vento, gerando uma sensação térmica dos mesmos -5°C, não são grandes. Entretanto, se a temperatura é de -5°C e o vento é de 100 km/h, e a umidade relativa do ar é maior que 90%, a sensação térmica é de -18°C. Isto é perigoso. Nosso corpo reage não a -5°C efetivos, mas a -18°C sensitivos, e assim sendo enfrenta os problemas e riscos desta temperatura baixíssima e não do frio mais ameno dos cinco negativos.

Eu já passei por isto uma vez, quando estava escalando o vulcão San Pedro no Atacama. Na ocasião, escalei o vulcão quase sem água (2l), tinha cinco garrafas de 500ml de isotônicos, não tinha fogareiro, não tinha barraca. Ou seja, bivaque nos Andes atacameños (a 4480m e a 5300m), sem comida ou bebida quente. Só tinha três latinhas de atum e um pote de pringles. A idéia era dificultar mesmo. E como dificultou...

Na noite que dormi a 5300m fez só -4°C quando acordei, e conforme foi amanhecendo (o horário mais frio em montanha é mesmo entre 04:00h e 06:00h) a temperatura foi caindo e chegou a -9°C efetivos. Por pura desidratação minhas mãos congelaram e precisei me proteger do vento que era até ameno (imagino algo em torno de 30-35 km/h), com as mãos dentro das calças por quarenta minutos, pra que eu conseguisse move-las de novo. Foram quarenta minutos de muita dor, quase insuportável o frio, já que fiquei parado todo esse tempo e estava desidratado. Somando todos os fatores climáticos à minha desidratação, mesmo que planejada, provavelmente meu corpo imaginava uma temperatura de quase trinta negativos e por isso sofri tanto neste horário gelado.

É assim que funciona a dita “sensação térmica”. Você sente, mas você sente porquê seu corpo enviou mensagens ao seu cérebro registrando o frio. Então seu corpo já sentiu e já reagiu. Resumidamente, uma sensação térmica pode ser classificada como temperatura real para o corpo humano. Então, entende-se o motivo pelo qual, por exemplo, aquele rapaz brasileiro morreu em baixa altitude na África por hipotermia. Estava desidratado, era inexperiente, e a sensação térmica pra ele com certeza foi muito fria. O corpo não agüentou e ele faleceu.

Bem, vamos facilitar um pouco, deixo aqui um link muito legal que calcula de maneira bem simples (já que não envolve o terceiro fator, umidade relativa do ar) a sensação térmica, o que em inglês se chama “Windchill”.

Link da estação de monitoramento do Morro da Igreja:http://www.morrodaigreja.com.br/clima.html

De olho nas previsões por 45 dias corridos, decidi ir à Serra Catarinense de Urubici, Serra Geral, na esperança de presenciar uma nevasca e sentir frio extremo. Tentei uma, duas, três vezes, mas o vento sempre soprou forte e a massa de ar polar ficou no meio da semana. Desta vez deu pra ir curtir, e contei com a companhia dos amigos Pedro, Camila, e até o Máximo nos acompanhou o que tornou a viagem super divertida com nós dois falando merda sobre merda o tempo todo. Claro, para quem pratica alta montanha não é nenhuma novidade ver nevascas e sentir bastante frio, mas no Brasil tem todo um gostinho especial, concordam?

Aqui no Brasil não era muito comum o evento climático de nevadas, mas isto está mudando aos poucos. Por isso, para nós é muito excitante presenciar tal fenômeno se ele ocorre em nossas terras. Sempre que há previsão de frio mais intenso na Serra Catarinense como o que aconteceu no mês passado, que foram oito dias consecutivos de temperaturas que variaram entre 0°C e -7,8°C, existe uma chance, mesmo que pequena, de isto acontecer. Em um destes dias gélidos nevou por quarenta e cinco minutos em Urubici e em Urupema por horas a fio, dois dos municípios mais frios do nosso país, em Urupema mais ainda pois a cidade fica a  1.335 metros de altitude.

A intenção era de, além de presenciar uma nevasca ou uma boa geada, sentir um frio brasileiro verdadeiramente intenso, (mês passado, sem previsões para isso, a só 1.530 metros de altitude peguei uma geada boa quando fui caminhar pela Mantiqueira no Pico do itaguaré. A manhã foi bem fria, registrei não oficiais -5,3°C em uma manhã típica de barraca e mato brancos pelo acúmulo de gelo) acampar no topo do Morro da Igreja (o que não pudemos fazer por ser proibido!) e torcer pra nevar e ventar muito pra sentirmos o frio de um dos dois pontos mais gelados do Brasil, o topo do Morro da Igreja, segunda montanha do estado de Santa Catarina, e quarta mais alta da região sul do país perdendo pro Pico Paraná, Pico Caratuva e Morro da Boa Vista, esta sendo a mais alta de Santa Catarina.

Os dois pontos considerados mais frios do Brasil são o topo do Morro da Torre (ou Morro das Antenas) em Urupema, Santa Catarina, a 1.730 metros de altitude, e o próprio Morro da Igreja, com cume a 1.822 metros de altitude, também em Santa Catarina. Quanto mais forte o vento no Morro da Igreja, mais baixa é a sensação térmica, óbvio. Então, meu desejo era que a resistência de minha barraca fosse testada mesmo, mas nem deu pra testar já que não acampamos lá. O máximo de vento que peguei com ela foi no acampamento La Hoyada no Cordon Del plata, na época peguei algo entre 60 e 70km/h de vento e ela agüentou sem titubear. Sequer se mexia.

Na mesma região da Serra Catarinense, nos últimos anos, a ocorrência de neve está regular, anual. Com o advento do aquecimento global (questionado por muitos/ alguns até arriscam afirmar que não existe nada de aquecimento global causado por humanos. Vale lembrar também que estamos no final da última era glacial de nosso planeta, apenas 10.000 anos atrás. Em termos geológicos, isto é um piscar de olhos), os invernos estão ficando mais rigorosos, e os verões registram calor próximo do insuportável. É uma situação de extremos. As ocorrências de nevasca de grande porte aconteceram em 1985, em 1996 e em 2010. Isso mesmo, o ano de 2010 teve uma nevasca impressionante em Santa Catarina. O solo ficou branco, a mata ficou branca. Em alguns pontos a neve chegou a surreais 50 centímetros e os carros não conseguiram chegar ao Morro da Igreja.

Este ano de 2011, logo no dia 26 de junho nevou na Serra e nas cidades serranas. Era apenas o quarto dia do inverno do ano. Algumas semanas atrás uma cachoeira de 30 metros congelou e o pessoal de lá teve por algumas horas uma cachoeira congelada pra praticar escalada em gelo. É claro que o gelo não era de boa qualidade e provavelmente não teve repetições a via, mas gerou um vídeo legal que foi parar no blog http://montanhismogaucho.blogspot.com, depois sendo divulgado pela Go Outside também.

Um pouco depois uma nova massa de ar polar, terceira deste inverno, esfriou novamente diversas cidades catarinenses e gaúchas. Dezenas de cidades registraram mínimas negativas e uma delas, de novo Urupema, registrou oficiais -8°C.

A massa de ar polar não tem parado mais como a primeira que causou vários dias consecutivos de temperaturas negativas, ela está em constante movimento sendo empurrada por velozes ventos na alta troposfera. Lá, a 16km de altitude, a temperatura chega a -70°C. Não diferente das últimas três massas, esta veio rápida e a previsão era de apenas três dias com frio intenso no sul. Ao que parecia, desta vez não tinha como evitar, estava confirmado um sábado e domingo com amanhecer congelante. A previsão não era de só um site, acompanhei incessantemente via tempoagora, climatempo e mountain weather forecasts, que por sinal tem uma página específica pro Morro da Igreja. Neste site, o nível de congelamento (freezing level) que normalmente fica entre 4000m e 4500m de altitude, baixou para apenas 700m de altitude na manhã de sábado. “Putz, é agora!” pensei.

Agora, uma quarta massa de ar polar avançou de novo vinda da Argentina e deixou as coisas geladas na nossa região sul. Eu não poderia perder de novo isto...E desta vez contava com meus amigos pra bate-papo e bate-queixo!

Bem, chega de informações chatas. Vamos à montanha!

Mesmo não sendo um montanhismo de ascensão propriamente dita, já que o carro chega ao cume, montanha é montanha, e montanhismo significa também culto à montanha, não só a prática do esporte. Pedro, Camila Máximo e eu fomos a Urubici cultuar um dos lugares comprovadamente mais frios do Brasil, o Morro da Igreja. Chegamos na madrugada na esperança de ver uma nevasca brasileira, aguardamos pacientemente dentro do carro mesmo. Acordei diversas vezes durante a noite monitorando o céu, frio e chances de neve. Nada.


Visual do Morro da Igreja nos primeiros raios de sol. O Pedro aparece na foto.


Max, Pedro e eu de bermuda.



Morro da Igreja, vista para a Pedra Furada.


As patas no abismo...pelo menos 800m de queda vertical aí.


Pedro, Max, Camila e eu sentamos na beira do abismo.


Pedro, eu e Max, Platô do Morro da Igreja, atrás de nós, a parte turística onde fica a base do Sindacta.


Mesmo assim o frio estava bom pela manhã. Meu relógio marcava -1,2°C quando acordamos e o vento estava relativamente fraco. Fomos até o cume passar frio e tomar café da manhã.

Começamos a fazer fotos e a babar na paisagem que realmente, me surpreendeu. Fotos não são nem de longe justas com a beleza da vista do Morro da Igreja. Posso afirmar, agora mesmo escrevendo este texto, que a região montanhosa de Urubici é, no meu ponto de vista, a paisagem de montanha mais bonita do Brasil. Ponto final!



Por volta de nove e meia da manhã o frio no cume estava muito forte, meu relógio marcava suaves -2°C, mas não sabíamos se estava correto. Chegava gente a todo tempo carregando até cobertor pra tirar foto na beira do cânion. Foi a primeira vez que escutei o Pedro reclamar de frio: “Nossa, nunca senti tanto frio em solo brasileiro!” ele disse. A Camila mau agüentava ficar fora do carro tadinha, eu estava de bermuda (só vesti a calça quando parei de sentir os joelhos 40 minutos depois que chegamos ali – afinal a minha intenção era pegar o frio mesmo) e o Max, bem, estava cagando e andando fazendo o mate dele kkkkkk...

Nota: Na segunda-feira dia 22.08.2011 descobri que segundo informações do INMET, fazia de fato no horário que estávamos no cume -2°C, e o vento era de cerca de 56km/h, fazendo com que a sensação térmica fosse de -15°C. Sucesso! Sentimos o frio extremo brasileiro!






Tomamos café da manhã preguiçosamente. Passando frio mesmo. Depois de sei lá, umas duas horas, desistimos de lutar contra o frio e entramos no carro onde ficamos mais meia hora só conversando e bebendo mate. Arrumamos tudo e fomos pra trilha da Pedra Furada. Um local onde infelizmente montanhista não vai. Só turista e farofeiro que vandaliza a rocha com pichações. A trilha é extremamente batida já que agências locais levam pessoas lá toda semana (NOTA: A realização desta trilha tem obrigatoriedade de utilização de guia local autorizado pela ICMBio e agendamento prévio), e levamos cerca de uma hora e meia pra chegar lá porque fomos curtindo e fotografando sem parar. Dá pra fazer a trilha em vinte e cinco minutos só. Que lugar fantástico!!!




Vista da Pedra Furada de cima



Visual da trilha até lá.



De cara pro crime. Afinal de contas, montanhista é criminoso não é mesmo? Assassino responde a processo em liberdade, estuprador responde a processo em liberdade, babá que espanca bebês em creches particulares responde a processo em liberdade, mas montanhista que preserva e vangloria a natureza é tratado feito bandido. MEU PAÍS É UMA MERDA MESMO



Visual pras paredes do Morro da Igreja de dentro da Pedra Furada



Max na Pedra Furada



Eu na Pedra Furada.



Visual quando começamos a retornar. Pedro, Max e Camila. Ao fundo o Morro da Igreja



Vista inversa da Pedra Furada, quase nunca publicada em foto. Acima o Morro da Igreja.


Nesta hora a Camila me disse que eu tinha razão, que a escolha do lugar pra irmos foi muito bem sucedida. Fiquei realizado. Olho fotos da região há anos, nas duas noites antes de viajar, já com vôo pra Curitiba agendado, mau conseguia dormir excitado querendo ir logo. Mas não tinha idéia de que o lugar era muito mais belo do que eu imaginava ou observava nos registros fotográficos.

Pedro e Max também piraram na rocha, idéias mil, dezenas de fotos, meia hora só apreciando a vista que, com classificação mínima e até injusta, seria “esculpida”. Nosso presente não parava por aí...



Começamos a voltar. Já fazia um pouco de calor por causa da atividade física, mas quando chegamos ao carro e paramos o frio pegou de novo associado ao suor das roupas. Entramos no carro e fomos comer ao lado da Cachoeira Véu da Noiva, uma belíssima queda de cerca de 60 metros de altura. Depois da refeição seguimos direto pra outro ponto onde pretendíamos chegar ao topo de um cânion pra acampar e pegar o frio que seria mais forte.


Máximo na estrada. Cuidado, se você pisar fora do asfalto pode ser abordado a mão armada!



Panorâmica vertical da Cachoeira Véu da Noiva, 60m de queda d`água.


Acontece que a natureza nos seduziu por completo quando passamos entre algumas propriedades privadas cortadas por um rio no centro que era absolutamente espetacular. Que lugar incrivelmente bonito. Na hora decidimos parar o carro e acampar ali mesmo ao lado do rio. Encontramos alguns locais e pedimos permissão, que foi concedida em um piscar de olhos. Atravessamos uma ponte que lembrava muito a gincana da TV “ponte do rio que cai”, chegando ao outro lado do rio, onde andando cerca de cem metros voltando e atravessando de novo o rio a pé sobre pedras encontramos uma pequena floresta de araucárias perfeita para passarmos a noite. Fizemos nosso acampamento.


Nós quatro em nosso acampamento.


Muito papo furado, piadas, e muita merda depois, cada um foi pra sua barraca e todos fomos dormir. Por volta de duas da manhã me bateu uma vontade de tirar água do joelho dos infernos, mas a preguiça foi ganhando. Uma hora depois não dava mais pra agüentar e não conseguia voltar a dormir. Não esperava que estivesse frio forte, pois apesar de aquela noite ter previsão de -5°C a -6°C de mínima para o amanhecer no Morro da Igreja e arredores, incluindo a cidade de Urubici a 900 metros de altitude, a nossa altitude era de 800 metros verticais abaixo. Estávamos acampados a só 980 metros de altitude. Quando saí da barraca senti o frio, estava frio pra cacete! Não sei a temperatura, mas não tinha vento algum ali. Resolvi meu assunto e voltei pra barraca, dormi.

Pela manhã o Max me acordou e depois foi falar com o Pedro, ponderamos e decidimos por ficar ali mais uma hora e depois vir embora, não daria tempo pra curtir o cânion sem me atrasar. Rápido o Pedro saiu e olhou ao lado de onde estávamos, onde havia um celeiro e um grande campo gramado sem araucárias, e gritou “Cara, ta uma geada linda aqui, ta tudo branco!”. Peguei a câmera e saí da barraca rapidinho e encontrei com o Pedro lá depois de atravessar o rio pro descampado. Nossa, que geada linda!



Depois de dezenas de fotos voltei, meu relógio marcava -2,7°C. Achei frio demais pro lugar e ajustei ele voltando manualmente a temperatura pra -1,4°C. O relógio continuou medindo e estacionou minutos depois em -2,2°C. Nesse meio tempo o Max continuou dormindo, a Camila também, eu e Pedro parecíamos crianças registrando tudo. A ponte que atravessamos estava com tanto gelo acumulado que deu pra marcar pegada e fotografar, show.


Panorâmica de dentro da florestinha de araucárias pro descampado onde havia geada. Note que dá impressão de que está nevado de tanto gelo no solo. Que visual!!!



Relógio marcando a pressão e temperatura no nosso acampamento.



Parofito escalando uma árvore.



Panorâmica do visual que tínhamos olhando de volta pra ponte. Há lugar mais belo?!



Gelo



Ponte coberta de gelo, deu até pegada.



Close up de cristais de gelo em um tronco.


Com certeza, mesmo sem nevasca e sem frio mais extremo ainda, ganhamos um espetáculo inesperado em um lugar desconhecido pra nós. Foi um baita presente...

Depois de desmontarmos o acampamento e deixarmos a propriedade, seguimos para a Serra do Corvo Branco pra mais fotos, vimos o famoso passo que foi aberto para a construção da estrada, passamos por lá contemplando paredões surreais de bonitos logo após o passo. Descemos mil metros verticais em dez minutos de carro onde fiz uma panorâmica de tirar o fôlego voltando a vista para todo o complexo montanhoso dali. Quanta beleza...


A panorâmica voltando a vista.



Visual olhando pras montanhas na escarpa da Serra Geral.


Dali foi só voltar. Estrada e mais estrada. Chegamos a Floripa já depois de 14:00h, paramos em um restaurante de frutos do mar. Pedimos uma anchova pra quatro pessoas com batatas, camarões, batata frita e salada. Da refeição, tirando o tamanho ridículo da anchova (menor que já vi na minha vida sendo oferecida em um restaurante alegando servir 4 pessoas) e as batatas cruas, tudo estava gostoso. O camarão, muito bom. Esvaziamos as carteiras e voltamos pra estrada chegando a Curitiba quase 20:00h. Lá consegui uma passagem deixando Curitiba às 21:00h pra São Paulo onde cheguei surpreendentemente às 02:40h, mais rápido que o previsto mesmo com o problema da meia pista em Campina Grande do Sul, onde uma ponte caiu. Fazer o que, cheguei quatro horas antes do esperado, táxi pra casa onde me deitei na cama depois de um banho já era 03:15h de segunda-feira.

Pra mim, a viagem significou quase 2.000 quilômetros rodados e voados. Significou de novo um encontro de amigos, e além disso, deixei de privar meus olhos de uma vista tão fascinante quanto aquela da Serra Geral. Minha primeira visita e com certeza, só a primeira de muitas. Pudemos observar o que pro Parofes é o lugar mais belo do Brasil para paisagem de montanha, sentimos o frio extremo brasileiro com sensação térmica de quinze graus negativos no Morro da Igreja, visitamos a sensacional Pedra Furada, vimos uma geada espetacular a somente 980 metros de altitude, fiz quase vinte panorâmicas magníficas, fizemos fotos noturnas. Foi tudo muito divertido!

Pretendo voltar assim que possível e desta vez, como prometi pro Pedro e pra Camila, levar a Lili. Só não foi conosco desta vez por causa do trabalho na sexta-feira. Ela me disse que “está com medo de acharem que ela é uma lenda”, já que ninguém nunca a vê ahahahahah...Mas o Pedro e a Camila já conhecem a Primeira Dama, disso eu sei!

Abrazos a todos
Parofes