segunda-feira, 12 de maio de 2014

"A quem interessar possa

Se estão lendo este documento, significa que eu dei o golpe final da leucemia e estou morto. Obviamente não foi assim que planejamos os acontecimentos, mas, nem sempre tudo acontece como queremos.

Descobri os primeiros sintomas quando Lilianne e eu estávamos em Lua de Mel na Patagônia, em dezembro de 2011. A princípio não dei muita atenção pois nunca se espera sofrer de leucemia, sempre pensamos ser algo mais simples como uma gripe difícil ou alterações hormonais para explicar as infecções indesejáveis.

Entretanto, em março iniciei uma bateria de testes para descobrir o que se passava, já que os processos infecciosos só pioravam, havia acabado de passar por um segundo episódio de pneumonia em curtíssimo espaço de tempo, além de outras manifestações pelo corpo. O primeiro exame que pegou blastos no meu sangue periférico foi de abril de 2012, passou desapercebido pela clínica geral que me atendia. Terminei os testes físicos e estava bem em tudo, com uma anemia controlável, amena.

Em meados de maio repeti os exames de sangue e me foi indicado procurar um hematologista o quanto antes. Consegui uma consulta para o dia 25 de maio de 2012, aniversário da Lilianne, com a Dra.Patrícia Torigoe, a quem deixo meus profundos agradecimentos a propósito pelo atendimento sensacional. De seus lábios escutei o que esperava pois já havia estudado meu exame de sangue, eu tinha leucemia. Bastava definir qual era.

No mesmo mês de maio me internei pela primeira vez no hospital Santa Paula para fazer tais exames e biópsia, que poderiam nos dar uma resposta sobre o nome da leucemia, e foi meu primeiro contato com o Dr. Sérgio Brasil, outra pessoa fantástica a quem não há como agradecer plenamente.

Os resultados foram inconclusivos, a medula óssea estava hipoplásica, lenta, em um aparente estado de Síndrome Mielodisplásica. Como o estado ainda era de transição, aguardamos mais um pouco para ver como tudo acontecia. Neste mesmo tempo, fui encaminhado pela Dra. Patrícia a ver o Dr. Frederico, encarregado do TMO do Hospital das Clínicas na época, para que ele me avaliasse como candidato a transplante de medula óssea.

Ele o fez e marcou já um segundo teste da medula óssea para a manhã seguinte, e assim me tornei paciente também do Hospital das Clínicas, Unidade de TMO, sob os cuidados da hematologista Dra. Maria Cecília.
A partir de então, fui inserido como receptor de medula óssea no cadastro do REREME, que trabalha em conjunto com o cadastro de doadores de medula óssea, o REDOME. Isso aconteceu em outubro de 2012. No mês anterior visitamos, eu e Lilianne, minhas irmãs no Rio de Janeiro, e duas semanas depois elas vieram em São Paulo para realizarmos o teste de compatibilidade para ver se alguma delas poderia ser minha doadora, negativo para as duas.

No final de ano e ano novo de 2012 para 2013 senti diversas alterações em meu corpo e decidi voltar ao hospital, temendo o pior. Este se confirmou, meu estado de síndrome mielodisplásica havia se alterado para Leucemia Mielóide Aguda. Decidimos iniciar imediatamente o tratamento quimioterápico de indução, e isso já significaria uma internação de longo prazo.

Esta primeira etapa foi difícil, e quase morri, mas sobrevivi para contar a História. A partir de então decidi compartilhar com todos, publicamente, os melhores e os piores momentos, independentemente dos resultados. Continuei o tratamento. Em março um possível doador apareceu associado ao meu nome e iniciaram os testes para verificar a compatibilidade para transplante. No dia 02JUN2013 entreguei pessoalmente no laboratório do REDOME dois tubos com amostras de sangue minhas para realização do teste de HLA ampliado, exame este que NUNCA obtive um retorno, nunca. Segui meu tratamento e após todas as quatro consolidações, a leucemia voltou imediatamente, e tudo recomeçou.

A partir daí deixo esta História de lado e manifesto algumas observações.
Aqui que explicito minha indignação.

O mais importante para este país é cerveja gelada, futebol na TV, e reality shows inúteis que não adicionam nada à vida de ninguém. Só vendem o corpo como mercadoria, coisificando relações interpessoais.

Me ENOJA ligar a TV na esperança de ver alguma notícia e não conseguir, pois todos os telejornais priorizam noticiar o futebol, cujo tempo total do programa provavelmente deve ser de metade do tempo útil. Nos intervalos, os comerciais de televisão priorizam carros novos cada vez mais velozes para uso urbano (não entendo, como querem reduzir a quantidade de acidentes fatais no trânsito com verdadeiras máquinas assassinas nas mãos de condutores irresponsáveis!?), empréstimo de dinheiro a juros, programas de TV inúteis como os já citados dentre outros como "Domingão do Faustão" (francamente, que atraso mental!), "Esquenta" (é esse mesmo o nome dessa porcaria?), dentre tantos outros, diversos comerciais de cerveja que sempre exploram o corpo da mulher brasileira para manipular o cérebro facilmente "manipulável" dos bêbados de plantão, e por aí vai... Raramente, eu disse RARAMENTE, observa-se UM comercial de doação de sangue.

Entretanto nunca, NUNCA vi um comercial incentivando as pessoas a se cadastrarem como doadores de medula óssea, ou sequer explicando como é o procedimento para que não exista o medo mortal que hoje se constata, visto que aproximadamente metade dos cadastrados desiste de doar quando convocados, e oferecidos a HONRA de salvar uma vida. Isto é patético. Nesse meio tempo, o governo baixa uma lei limitando o número de cadastros de doadores de medula óssea no país. Dá pra acreditar? Fácil de se entender, difícil de se compreender.

Com tantos cadastros ocorrendo, as chances de pessoas como eu de encontrarem um doador compatível aumentam, e como tudo é pago pelo SUS, e um transplante de medula óssea (procedimento de ponta a ponta, exames, quimioterapia pré-transplante, transplante e complicações possíveis que o paciente sofra após o transplante) é realmente muito custoso. Se muito é gasto com cada vida, rouba-se menos. As mansões não ficam prontas a tempo, e um João Ninguém atrapalha tudo só porquê tem câncer não é mesmo? Este é o nosso país amigos. Abdico dele. Fiquei triste demais para continuar fazendo parte deste mundo hipócrita e sem valores, sem honra, sem respeito. Breve recado para minhas irmãs, sobrinha, cunhados e cunhadas, minha sogra, avó, Oma, tias e tios: Não lamentem minha morte. Lembrem-se, morrer faz parte da vida. É a única certeza que temos quando nascemos. As vezes ela chega cedo, as vezes ela chega tarde. Pra mim é fácil, pra vocês dói. Administrem as dores me celebrando como eu era, vejam minhas fotos, façam piadas, mas não lamentem.

Ajudem por favor a Lili, o início será muito difícil, eu sei. Minhas mais sinceras desculpas à minha viúva Lilianne Schmidt. Prometi um produto e não entreguei, me perdoe. Em nosso casamento eu chorei emocionado pois queria que minha mãe visse o acontecimento, queria que ela visse o filho dela se casando com você, mulher linda por dentro e por fora, de coração grande, inteligente, trabalhadora, e compreensiva com minhas viagens pelo mundo, necessidades inusitadas de um aventureiro pleno, obrigado por tudo. Lembre-se, sempre lhe respeitei, sempre lhe amei, mas agora, peço que recomece sua vida. Não sofra por muito tempo, tens sua vida inteira pela frente. Demoramos cerca de oito meses para conseguir ter acesso ao meu cadastro, vez que o único médico que pode acessar e verificar por novos possíveis doadores é o médico que me cadastrou no REReme, a Dra Maria Cecília. Infelizmente na virada de 2013 para 2014 toda equipe de hematologia do TMO do Hospital das Clínicas foi trocada, e comecei do zero. Depois de muitos e-mails, brigas, ameaças de denúncias à rede televisiva (que de fato não se interessou: (Band, Globo e SBT), o Dr. Sérgio conseguiu meu cadastro com o Dr Ulysses, novo chefe do TMO do Hospital das Clínicas. Quando me deu a notícia fiquei maravilhado.

 Entretando, dois ou três dias depois descobrimos que era tarde demais ter seis (6) possíveis doadores. Minha Re-re-indução falhou, assim eu estaria inapto a fazer um transplante. Irônico não? NÃO! Absurdo! Morosidade e Burocracia do SUS brasileiro, onde só interessa a quem rege desviar verbas construi mansões e comprar carros importados...

Paulo Roberto Felipe Schmidt Síndrome Mielodisplásica/ Leucemia Mielóide Aguda Motivo da morte: Morosidade do processo de testes e realização do transplante de medula óssea/ decisão inteligente do governo de cortar a chance de vida de milhares de brasileiros e estrangeiros que poderiam ter sua vida salva por um de nós/ Desgosto com a nação."

quarta-feira, 5 de março de 2014

Bom, como dizer isso..

No dia 27FEV2013 recebi o resultado final da imunofenotipagem e do mielograma. A Re-re-indução falhou completamente também. As contagens de leucócitos só subiram alguma coisa porque eu estava direto no Granulokine. Ponto.

O que fazer agora? Bem, passei do status de um leucêmico para um paciente terminal de leucemia. Não há mais o que ser feito.

Poderíamos tentar repetir este protocolo de novo, mas estou tão fraco e magro que eu não suportaria mais dez dias de tratamento. Simples assim. Existia também outra opção de juntar uma terceira droga nova ao ara-c e ao Mitoxantrona para montar um protocolo novo, que aumentaria a chance de zero para uns cinco por cento. Ao procurar pela droga, o Dr S descobriu que não há no Brasil.

A terceira e última opção é jogar a toalha. Terminar o anti-fúngico e aguardar pra ver se as plaquetas estabilizam um pouco pra eu ter alta. Precisando, volto aqui, recebo uma aférese e vou pra casa no dia seguinte. Apesar de ser esta a escolha que eu e minha esposa fizemos, não é literalmente "jogar a toalha", estamos tentando tratamento alternativo com pariri, brocolinol e um protocolo de homeopatia contra leucemia. É o que posso fazer, é o que tem pra hoje...

Não sei quanto tenho, a estimativa dos médicos é de 30 a 60 dias. Quando as dores ficarem insuportáveis, volto pra cá, me interno, e sou colocado em coma induzido para não sofrer uma morte agonizante horrenda.

É isso...

Abs a todos.



Lutei enquanto pude usando a medicina tradicional....agora, se eu tiver alguma chance de sair daqui, lutarei com a medicina alternativa. \estou aqui ha 62 dias e contando, sem data prevista para alta, pesando só 59kg.

Paulo Roberto Felipe Schmidt

36 anos

Só mais um.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

17° Mielograma, o vídeo!

E ai pessoal!

O pulso ainda pulsa, em casa por alguns dias, seis no máximo imagino.

Pra quem ainda não viu, deixo aqui o vídeo do meu último mielograma, para assistirem na íntegra. Lembre-se, este é só o mielograma e imunofenotipagem, quando rola biópsia o buraco é mais profundo e o instrumento ainda maior ahahahahhaha, e já fiz 2 biópsias.



Abraços a todos!

Parofes

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

De volta ao PNI: 8000m a 2552m? 11,6%

Uma ligeira brincadeira com números que a primeira vista pode parecer inocente, mas há fundamento, acredite, e não é engraçado. Meu retorno ao Parque Nacional do Itatiaia ha muito vinha sendo adiado, por conta de quimioterapia, por conta de uma frente fria invernal oportunista, por conta de agenda que não batia com meu amigo e principal companheiro de montanhas e em especial lá, enfim, diversas razões que invariavelmente impossibilitavam a concretização dos planos. Desta vez tudo deu certo, e não só para nós, para mais amigos. Por que eu deveria deixar um câncer atrapalhar nosso caminho?

Quer continuar lendo? Acesse: De volta ao PNI: 8000m a 2552m? 11,6%

Abrazos a todos
Parofes

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O pulso ainda pulsa

E aí pessoal,

Terminei de escrever e publicar o meu relato da última viagem ao sul de Minas Gerais, para resolver um assunto pendente com a Serra do Papagaio!

Espero que gostem:

"O Pulso ainda pulsa"



Abraços a todos

Parofes

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Relembrando uma foto comédia!

Eu e minhas doideiras de canceroso passando o tempo ahahahahha...



Foto de março de 2013.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Cerro Plata – 08/12/2013 até 18/12/2013 (10 dias) – U$ 1200

O Cerro Plata com 5.943m na Argentina é uma ótima opção para quem deseja começar com montanhas de altitude. A curta distância com um belo centro urbano que é Mendoza e também a proximidades dos acampamentos tornam uma verdadeira escola de altitude.

Nossa aclimatação maximiza muito as chances de cume. O acampamento no colo de 5.200m aumenta em 50% as chances de cume por aumentar o roteiro em 2 dias e diminuir o tempo do dia de cume na metade!

Além da nossa infalível estratégia de aclimatação, trabalhamos muito bem com logística pois conduzimos logísticas de muitas toneladas em ambientes extremamente hostis, bem mais difíceis do que o Aconcágua.

Os requisitos para que você possa participar desta expedição são:

• Seguro internacional de viagem
• Atestado médico de boa saúde física
• Aprovação da namorada(o) ou esposa(o) para que eles não fiquem bravos com o guia
• Experiência em Trekking (não necessariamente em alta altitude)
• Caprichar no treinamento
• Pagamento de um sinal de 10% para garantir sua vaga
• Vontade de se divertir
• Assinar o termo de responsabilidade
• Assinar a ficha de inscrição
• Ler todas as informações disponíveis no website

Saída já confirmada, interessados: Escrever para parofes@gentedemontanha.com

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

domingo, 4 de agosto de 2013

A neve brasileira – Entre sessões de quimioterapia - parte 1

Em 2010 vi na televisão no noticiário das oito, em horário nobre, a chamada de 30 centímetros de nevasca no sul do Brasil. Meu queixo caiu, o mundo era diferente do que eu havia imaginado, registrar a queda da neve brasileira se tornou uma missão deste montanhista desde então. Não seria nada fácil, seria questão de meter a cara e apostar na precisão da previsão ou simplesmente dar sorte de uma super massa de ar polar avançar pelas terras tupiniquins. Deu certo após uma tentativa in situ no ano de 2011, naquele gélido mês de agosto quando eu, Pedro Hauck, Camila Reis e Máximo Kaush nos aventuramos no sul do nosso país. Tempos diferentes aqueles...

Em agosto de 2011 eu e Lili ainda não éramos casados, estávamos em acerto ainda do local e só tínhamos a certeza de que seria ainda naquele ano. Eu tinha saúde de touro mesmo depois de dezesseis anos sem fazer um hemograma sequer, tinha um emprego formal que adorava...Vixi, “muito era” e “deixou de ser”.

Minha terceira etapa de quimioterapia de consolidação se encerrou no dia 13 de julho quando recebi alta do hospital com apenas 37.000 de contagem de plaquetas e torcendo pra que não caísse mais do que isso, o que significaria uma nova internação para transfusão de plaquetas se a numeração baixasse de 20.000 pontos, procedimento padrão transfundir abaixo disso. O plano era ir ao sul de Minas Gerais com o Tácio e com o Pedro e registrarmos juntos mais uma viagem à mantiqueira em picos menos avantajados e quem sabe, se os céus permitissem, praticar um pouco de fotografia noturna.

A previsão do tempo mudou radicalmente, o que ao mesmo tempo me fez mudar de idéia sobre o destino além de cancelar definitivamente o sul de Minas, onde iria chover. Vi, novamente, sem acreditar em meus olhos, a notícia de que uma massa de ar polar muito forte provocara a nevasca mais forte em Ushuaia nos últimos não sei tantos anos, e que esta dita cuja chegaria a Serra Catarinense com força total na manhã de terça-feira e quarta-feira, dias 22 e 23 de julho consecutivamente, mas que a maior probabilidade de queda de neve seria na manhã do dia 22 mesmo. “Hmmm...é, se eu não for agora, posso não ter outra chance, é bom eu checar a saúde sanguínea antes.”

Ainda levantei a hipótese de mudança de trajeto com o Tácio, mas ele decidiu ficar pois tinha algumas tarefas à concluir com uma exposição fotográfica e uma viagem mais longa do que o programado iria atrapalhar suas datas, e o Pedro estava moendo pedra até a peido procurando as benditas Apatitas, que já viraram lenda no Paraná inteiro, sobrou este canceroso que vos escreve.

Dia 18 de julho fui ao laboratório perto de casa fazer um exame para saber se meus planos de viajar com um resto de aplasia seria possível. Mas, no caminho de volta, me sentindo forte e excitado o suficiente para culminar o Pobeda, pensei em quem poderia confiar a tarefa de me acompanhar, alguém que tivesse tino de companheirismo, de fotografia, de apostar na previsão e de ir tão longe por isso, e que tenha um certo desprendimento com agenda.

O primeiro nome que me veio à cabeça foi do xará Paulo Fabre, fotógrafo profissional urbano, que conheci em 2010 no atacama quando viajava pra escalar, e ele para fotografar, praticando um bocado de desprendimento com o dia a dia sacal das grandes concentrações urbanas onde vivemos.

Voltei no ônibus pra casa duplamente eufórico já que sabia que o Paulo não recusaria meu convite, pois curte muito o não planejado assim como eu. Mentalizei um resultado bom do hemograma e tratei de apressar o passo.

Cheguei em casa, abri o facebook para formalizar o convite e havia algumas mensagens aguardando a leitura, dentre estas, uma do próprio Paulo, que reproduzo abaixo juntamente de minha resposta:

Paulo C Fabre Oliveira Jr.
Bom dia xará... tudo bem? Sabe de alguém saindo pra algum lugar neste final de semana?
to desesperado... kkk

Paulo Roberto Felipe Schmidt
Cara
vc leu meus pensamentos
Vim no ônibus preparado pra te ligar
tá afim de viajar?

Paulo C Fabre Oliveira Jr.
to...
só falar quando e pra onde"


E assim foi nossa decisão. Em cinco minutos estava tudo certo e eu liguei pra Lili pra que ficasse despreocupada com o fato de eu viajar para tão longe sozinho e ainda saindo da aplasia da quimioterapia. Durante as próximas duas horas decidimos viajar um dia antes do programado, sexta mesmo, dia 19, e compramos as passagens de São Paulo até a cidade de Lages, distante apenas cerca de 80 quilômetros de São Joaquim, onde Paulo me disse ter família, inclusive sua avó, então teríamos local pra prosear, nos aquecer e dormir.

E olha só rapaziada que eu comprei as passagens e nem me lembrei de esperar a noite e com ela o resultado do exame de sangue...surpresa! Não boa, ruim.

Todas as contagens caíram. Inclusive de hemogloblobina, o que explicava minhas dores recorrentes de cabeça (cérebro privado de oxigênio no sangue, encefaléia, uma simulação forçada de caminhar a mais de 6000 metros estando a apenas 800 metros de altitude em São Paulo). As tais plaquetas? Uma vergonha, contagem de somente 19.200, situação de transfusão de no mínimo sete unidades de plaquetas ou uma aférese.

Não sou maluco mas, de sanidade também não tenho muito. Abri o notebook e atualizei minha planilha de controle de sangue (sim, eu faço uma, auto-didata é uma porcaria, um ano de tratamento e já se acha hematologista...) e cheguei ao número mágico de 36° dia pós QT (após a última infusão de quimioterapia), e foi neste mesmo 36° dia, em aplasia anterior na ocasião da segunda consolidação, que a contagem subiu espontaneamente, evidenciando o final gradativo da “onda” dos químicos.

Me tranquilizei. Liguei pra Lili, expliquei tudo e deixei a promessa no ar de que as contagens iriam subir e que, melhor ainda, a decisão de ir um dia antes e ter uma cama pra dormir seria a melhor coisa, minha medula ganharia 24 horas a mais para produzir algo. Eu estava contando com o ovo na galinha com prisão de ventre e cloaca. Sairia bom resultado disso? Apesar disso, fui honesto com a Lili em minhas palavras, como sempre.

Vai saber o resultado...

Por dentro estava muito apreensivo. Mas, o tino de montanhista dizia a todas as células de meu corpo que desta vez iria rolar a neve brasileira, e que se eu fosse pro hospital, receberia uma transfusão de aférese e minhas plaquetas passariam de 50.000 mas, perderia dois dias cruciais e com eles a nevasca na montanha que eu queria estar. Tinha de arriscar e evitar a qualquer custo até mesmo um esbarrão no abdome, já que isto poderia me causar uma hemorragia interna gravíssima e me colocar em uma situação de risco de morte no interior de Santa Catarina com centenas de quilômetros entre eu e um hospital que possua banco de sangue. De que vale a vida se não há aventura?

Pensei comigo mesmo: “Estou sobrevivendo faz oito meses, preciso viver um pouco, mesmo que isso signifique por só cinco dias, vou.”

Saí da internet e arrumei minha mochila aos poucos, com calma, tomando cuidado pra não tropeçar nem dentro de casa, o que tornaria meu esforço uma piada sem nem conseguir sair de casa. Bah...

Ninguém precisa ser hematologista pra entender o que eu falo, basta olhar a foto ao lado do exame onde aparece o meu sangue e o parâmetro normal, em hemoglobina eu estava funcionando a quase metade do normal e em plaquetas, já em patamar de transfusão, além do fato de estar neutropênico, com o sistema imunlógico ainda baixo demais pra ficar sem medo de pegar uma gripe. Que diabos...pra que serve esse negócio de sangue mesmo?

Sexta dia 19, o dia seguinte, Paulo chegou aqui em casa e em cinco minutos chamei um táxi e descemos com quatro mochilas rumando pro frio. Começou a aventura. Eu, por dentro, mentalizando a produção de sangue de minha medula a todo custo, esta preguiçosa imprestável que mais parece o povo carioca que arranja um monte de desculpa pra não trabalhar...Alguém me lembra onde eu nasci? Não é possível que tenha sido lá...

Na rodoviária nosso imaginário começou a trabalhar, e enquanto saboreava uma picanha com batatas fritas eu já celebrava o simples fato de entrar em um ônibus rumo a uma montanha, uma única montanha, várias centenas de quilômetros de casa, com a chance de fazer algumas fotos, passar frio e, sobretudo, me sentir vivo e produtivo. Nosso ônibus partiu.

Não posso dizer que as 12 horas que se tornaram 14 foram intermináveis porque, honestamente, não sei e não vi, dormi 80% do trajeto e valeu a pena, já que a viagem foi noturna e eu não teria vista mesmo. Assim que descemos do ônibus tratamos de comprar a passagem pra São Joaquim, o que significaria pelo menos oitenta minutos a mais de viagem, e mal tivemos tempo de beber um chocolate quente, pois o dito cujo partia em só dez minutos. Mais estrada...

Assim que chegamos em São Joaquim o tio do Paulo, o Zani Fabre, veio nos buscar na rodoviária. Não esperamos nem dois minutos. As piadas já começaram no carro mesmo. Sujeito bom de coração, bom de jogatina e de piadas, Zani nos levou direto pra casa da avó do Paulo que já nos recebeu com casa cheia e almoço na mesa, galinhada com polenta. Minha vergonha de ser visita dura pouco mesmo então fui me enturmando, cheguei chegando, e em minutos estava roubando batata frita da mesa do almoço, com um copo de suco que tendenciava a se encher de novo sozinho.

Papo muito bom, tudo muito certo e caloroso, o almoço se foi a passos largos, muita piada, gozação, e todo mundo curtindo nossa aventura que iria começar no dia seguinte, a família toda, que família bonita e divertida!

Com o decorrer do dia, aumentaram nossos compromissos sociais e daí pra frente entendi que o Paulo estava sendo modesto quando me disse que “tinha família em São Joaquim”. Caramba, a família quase toda mora na cidade! De fato, tem negócios pelas ruas de Lages e São Joaquim e vilas próximas com “Fabre” no nome hehehe. Sua família é nascida, criada e tradicional na Serra Catarinense, e além de tudo se dá muito bem com o frio. É engraçado, todo mundo tem fogão a lenha, todo mundo tem a mesma marca de aquecedor elétrico pro banheiro, e todo mundo tem coberta elétrica! (risos)

Em algumas horas de papo eu já sabia que a cidade tem problemas como qualquer outra, que sofre com tráfico de drogas e viciados pelas ruas, o hospital está capenga perto de fechar as portas, o Padre local é maluco a ponto de chutar caixão de defunto porque o fulano “não ia às missas”, que o cartório foi auditado e autuado ela Polícia Federal, e um monte mais de fofocas das boas. Tudo isso a um café quente bão e rosca típica da região, sem duplo sentido.

Terminamos o dia no meio de um churrasco na casa do Zani comendo picanha da diretoria e jogando dominó até onze da noite. O dia terminou, hora de voltar pra casa da avó e dormir.

Quarto frio, menos de dez graus, e coberta demais pra quem curte frio, chutei de lado e fiquei só com uma colcha, e com ela me aqueci noite afora até o dia raiar um pouco mais frio na manhã do dia 21 de julho. Neste dia, o almoço programado na nossa agenda era feijoada, e assim fomos...Casa do Zani de novo!

Nesse meio tempo a Bea me ligou (Beatriz Azevedo), a queridíssima Bea, dizendo que estaria em Urubici fazendo Off road e que talvez passasse lá aproveitando a proximidade pra me dar um abraço, seria ótimo! Então tomei a liberdade de passar o telefone pro Zani que tratou de dar latitude e longitude pra guria.

Infelizmente para a Bea, felizmente para nós (Ahahaha!), ela e os amigos não puderam ir, sobrou feijoada pacas. Nos preparamos “a fio para frio”, não esquecemos de nada e, pouco antes das quatro da tarde, pegamos a fiat que o Zani deixou sob nossa responsabilidade e partimos pra vencer os 76kms que nos separavam da pequena e pacata Urupema, que fica a 1.340 metros de altitude, encrustada em um pequeno vale por dentro da Serra Catarinense. Isolada, fria, mínima.



Por sorte, o tempo nos ajudou um bocado e quase não choveu, então a estradinha de terra estava fantástica, dando de dez a zero na estrada que sobe pro Parna Itatiaia. Só fizemos uma pequena parada na pracinha pra registrar com não mais que duas fotografias a estada ali e retomamos nosso objetivo, que era de montar barraca antes do pôr do sol. Isso iria nos garantir sossego e menos dor nas mãos montando a barraca a noite já sob o frio tenso que rola no morro.

O Morro das Torres, ou Morro das Antenas, é a primeira elevação a receber os ventos vindos do sul, Argentina sobretudo, e por isso provavelmente é juntamente do Morro da Igreja a montanha mais fria do Brasil. Lá, registrou-se nos últimos dez anos as temperaturas mais baixas de nosso país, sendo no inverno passado a mais baixa dos últimos quinze anos se não me engano, ficando em -8,8°C. É frio. Para padrões brasileiros ou não, pois sempre digo que o frio das montanhas brasileiras não é para brasileiros e para ninguém, visto que nossas montanhas são muito úmidas, e em especial o Morro das Torres, cujo cume inteiro é um charco só, então dá pra sacar o frio que faz ali, se seu isolante térmico for ruim, a morte por hipotermia é certa sem auxílio e resgate. Sem piadas.

A noite caiu e com ela um frio suave até então, estava nos 5°C positivos até a hora que tentamos dormir, lá pelas 21:30h. De fato, a entrada pra massa de ar polar estava reservada para as nove ou dez da manhã de segunda-feira. Depois de muito tentar, desisti da posição e mudei por completo, assumindo posição de ataque na guerra de peidos oficial, indo dormir com a cabeça pro final da barraca. Preparamos as botas no fundo da barraca pra evitar aquela tradicional serração de molhar tudo e posterior congelamento da pisante.

De nada adiantou, quando acordamos o lado do Paulo foi o prejudicado, pegando de frente os ventos suaves que bateram junto de chuva a noite toda. Então o fato de ele se encostar na barraca provocou o suor pra dentro, uma goteira, e onde ela gotejou? Dentro da bota dele. Nem tempero faltava, bastava colocar o ovo dentro e jogar a bota sobre o fogareiro. Páginas foram arrancadas de um livro cujo final nunca será lido, um saco plástico separado, e a espera começou.

A manhã veio obscura, cinzenta, as oito da manhã parecia noite. Mas, a barraca já estava coberta de sincelo, o popular “rime” (em inglês). Começou a chuva congelada e continuou sem parar quase. Nos deu uma trégua de cinco minutos e fomos pra fora fotografar, diversas pessoas já estavam no topo do morro de carro aguardando a neve que estava por vir, e eu não estava assim tão confiante. Tinha na cabeça ainda a visão de que tinha que estar mais frio pra nevar, e o relógio? Hmmmmm, o relógio...deixei ele sobre uma pedra deitado de lado pra não alterar a leitura, mantendo o sensor no ar já que a pedra é mais fria...

Oito e pouco da manhã:

Parofes: "Xará, vê aí qual a temperatura."

Paulo Fabre: "Pera...."

Paulo Fabre: "E...não dá pra ver..."

Parofes: "Como não dá pra ver?"

Paulo Fabre: "O relógio congelou."

Parofes: "Como assim o relógio congelou? Pera deixa eu ver..."

Parofes: "Vixi! O relógio congelou cacete!"

Comédia essa conversa intelectual. Como a temperatura não alterava, achei que as funções tinham ido pro saco junto do negão coberto com uma camada de gelo que o envolvia por completo, nem dava pra colocar no pulso porque não tinha como descongelar, só fervendo água. Deixei por ali mesmo, marcava -0,8°C.

Na pausa da chuva congelada de cinco minutos aproveitamos pra sair e ir até o carro resgatar as mochilas grandes com comida e equipamentos, mas não adiantou, o carro congelou! É molecada, nem dava pra enfiar a chave, tinha gelo na carroça e o cavalo foi se aquecer.

Começou a encher de gente a montanha, muita carreta subindo e descendo, e todo mundo gritava pra nós, acenava, ou nos fotografava. Gritavam perguntando se estava frio e eu dizia que não, mas que eles ali naquela caixa de metal de uma tonelada provavelmente estavam sofrendo.

Teve um cara que cercou o Paulo na beira da estradinha de terra e falou:
“Guri vocês não estão falando sério, vocês não posaram aí, montaram a barraca agora só pra contar estória...”

O Paulo respondeu: “Não, chegamos aqui noite passada pra fazer campana esperando a neve, de verdade”. Sério que só, nem um sorriso deu ahahahah

O cara deu de riso e acelerou o carro, não acreditou penso eu ahahahah...Acho que ele não notou as estacas de gelo dependuradas sob o carro de 15 a 20 cms de tamanho.

O que acontece é que, para muita gente, a cultura do montanhismo é algo longínquo, que só se vê na TV, lá na Ásia, e no imaginário muito curioso (ou não) destas pessoas, os montanhistas devem ter um aquecedor elétrico dentro das barracas e alguém pra massagear os pés e pizza delivery nos acampamentos altos. Só pode. O que estávamos fazendo era completamente normal pra mim e até mesmo pro Paulo que teve poucas experiências em montanhismo, e eu estava até meio triste por não poder subir a montanha a pé como faço, tendo que me contentar diante de minha bruxa baratuxa a subir o pequeno e modesto morro com o lombo sentado na mesma caixa de metal de uma tonelada. Que diferença...

A hora passou e eu fiquei frustrado deitado na barraca olhando pro lado de fora, começando a ficar com fome, e tomando conta da temperatura. Caiu mais um pouco pra -0,9°C, daí a mais meia hora marcou -1,0°C e começou a subir.

Subiu de volta pra -0,9°C, pra -0,8°C, pra -0,7°C, e daí pulou direto pra -0,5°C. Pensei “é, já era, não vai mais nevar agora de manhã”. Fiz um vídeo me lamentando. Era dez da manhã quando marcou essa temperatura e caiu o primeiro floco de neve, brancão, parecendo um grão de apatita (Ah?! Ahahahaha). Falei pro Paulo...



Parofes: “Cara, isso aqui é neve!” (e apontei pro floco que caiu na grama bem na frente da barraca, que não congelou pelo constante pisar e que não estava molhado como o terreno ao redor e, por isso, não derreteu o floco, ficou inteiro)

Paulo Fabre: “É cara, isso é neve sim!

Parofes: “Vamos sair da barraca porque não vai durar muito!

Paulo Fabre: “Vambora!

Parofes: “Tá nevando cara! Uhul!” (porque não podia faltar o bendito “uhul”)

Pulei pra fora da barraca e comecei a filmar e a fotografar andando feito um bêbado sem rumo, mas creio que estava mais pra uma criança que ganhou o primeiro carrinho de controle remoto da vida, tentando descobrir onde raios se enfia as pilhas na geringonça (no controle remoto moleque, enfia a bagaça no controle remoto!). Quem olhava sem dúvida pensava que eu nunca havia visto neve na vida.

Mal sabiam eles que, na verdade, eu não saberia se um dia teria chance de ver de novo...



Paulo saiu da barraca e começamos a fotografar juntos, nos abraçamos e o agradeci pela companhia, por estar ali comigo. Fiquei realmente emocionado de estar vivo, sentindo saudades da Lili e pegando uma nevasca em pleno Brasil!

Uns minutos passaram e mais pessoas vinham nos fotografar, curiosos pediam até pra fotografar minha barraca coberta de neve, uns fotografavam o carro, outros o Paulo, eu, o conjunto, só faltou pedir pra tirarmos a roupa e plantarmos bananeira sem semente, até que veio uma médica com umas amigas, me viu de máscara e perguntou o motivo. Eu contei, ela me disse que era médica e que eu não deveria estar ali. Respondi curto, mas sincero: “Você é que não me conhece, sei que não posso estar aqui, mas preciso estar aqui.

Daí veio uma guria com uma jaqueta colorida e um câmera man junto, e pediu pra me entrevistar já que o Paulo introduziu o assunto sobre a máscara. Daí pintou a entrevista que já está online...

Daí o que rolou? Ah certo, bem...conto na segunda parte semana que vem.

Vamos a algumas fotos...


Olha o exame maledito aí...



Deixando a casa do Zani...



A chegada a Urupema...



Visual bem bonito...



Panorâmica da chegada a Urupema, lugar bem bonito!



Primeira vista do Morro das Torres, encoberto. Bom!



Na estrada subindo pro Morro...



Eu montando a barraca, foto de Paulo Fabre.



Até Alcachofra teve pra janta!



O livro que nunca terá fim.



Ambiente fechado, máscara na galera. Minha proteção.



E agora José?



Passando o tempo, esperando a neve. De barraca aberta, o ar circula, sem máscara!



Tentando ser criativo de dentro da barraca.



Sincelo na barraca e na vegetação.



Sincelo pouco antes de nevar.



Dando a entrevista.



Paulo fotografando.



Panorâmica vista do topo do Morro das Torres.



Nevando no Brasil!



Minha barraca virou a sensação do momento.



Eu fotografando minha barraca. Foto de Paulo Fabre.



Neve no Brasil...



Casa própria nevada e transporte congelado!


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Registrando a neve brasileira em Santa Catarina, julho de 2013.

Não resisti, e mesmo entre minhas sessões de quimioterapia fui até o sul com a previsão de quase certeza de neve.
Taí o resultado...
Em breve mais fotos e alguns vídeos junto do relato da viagem.
De cara deixo um forte abraço pro amigo Paulo Fabre e a toda sua família pela calorosa recepção, me abraçaram como um primo distante que ha muito não viam...
Abraços a todos!

Parofes

Sincelo pouco antes de nevar.


Eu sendo entrevistado durante a nevasca pela mídia local já que ninguém acreditava que passamos a noite ali, eu e meu amigo Paulo Fabre.


Minha barraca no topo dos 1733 metros do Morro das Torres, Urupema, Santa Catarina.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Fight the good fight!"



Foto: 16JUN2013
Recebendo a última dose de quimioterapia da terceira consolidação.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Cerro Plata – 08/12/2013 até 18/12/2013 (10 dias) – U$ 1200

O Cerro Plata com 5.943m na Argentina é uma ótima opção para quem deseja começar com montanhas de altitude. A curta distância com um belo centro urbano que é Mendoza e também a proximidades dos acampamentos tornam uma verdadeira escola de altitude.

Nossa aclimatação maximiza muito as chances de cume. O acampamento no colo de 5.200m aumenta em 50% as chances de cume por aumentar o roteiro em 2 dias e diminuir o tempo do dia de cume na metade!

Além da nossa infalível estratégia de aclimatação, trabalhamos muito bem com logística pois conduzimos logísticas de muitas toneladas em ambientes extremamente hostis, bem mais difíceis do que o Aconcágua.

Os requisitos para que você possa participar desta expedição são:

• Seguro internacional de viagem
• Atestado médico de boa saúde física
• Aprovação da namorada(o) ou esposa(o) para que eles não fiquem bravos com o guia
• Experiência em Trekking (não necessariamente em alta altitude)
• Caprichar no treinamento
• Pagamento de um sinal de 10% para garantir sua vaga
• Vontade de se divertir
• Assinar o termo de responsabilidade
• Assinar a ficha de inscrição
• Ler todas as informações disponíveis no website

Saída já confirmada, interessados: Escrever para parofes@gentedemontanha.com

segunda-feira, 1 de julho de 2013

COMBO Nepal! Saca essa...

COMBO Nepal! Saca essa...

O nosso pacote COMBO-Nepal é destinado àqueles aventureiros que têm experiência em trekking, mas querem fazer algo com mais emoção.
Preparamos um roteiro inusitado que passa por vários passos montanhosos como o Cho La (5.370m) e leva você ao Acampamento-base do Everest, cume do Khala Pattar (5.550m) e você ainda escala uma montanha de 6.173 metros de altitude, o Island Peak!

Leia mais: Combo Nepal com Maximo Kaush no GDM

Ficou interessado? Escreva: parofes@gentedemontanha.com



Foto: Descida do Island Peak, belo visual não?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Escale o Aconcagua com Maximo Kaush

Já pensou você aí no Aconcagua, nessa foto?
Vá com quem sabe, vá com Maximo Kausch, você chega lá!!

Opções:
Turma 1 - 19/12/2013 até 07/01/2014 (20 dias) - inclui aclimatação Cordon Del Plata - USD 3400
Turma 2 - 09/01/2014 até 28/01/2014 (18 dias) - Rota normal e não inclui Cordon Del Plata - USD 3400
Turma 3 - 03/02/2014 até 20/02/2014 (18 dias) - Rora Leste e não inclui Cordon Del Plata - USD 3400
Turma 4 - 03/02/2014 até 22/02/2014 (20 dias) – Rota Polacos. Requer experiência prévia em escalada em pendentes de neve e/ou gelo e em altitude elevada - U$ 4500

Interessados, escrevam!
parofes@gentedemontanha.com


Foto: Liba Kopekova


www.gentedemontanha.com
www.facebook.com/gentedemontanha

domingo, 23 de junho de 2013