quinta-feira, 31 de março de 2011

Divulgando: Curso Básico de Escalada em Rocha - 2ª turma













CURSO DE ESCALADA EM ROCHA - São Paulo/SP - 2ª turma!!!
www.tacio.com.br

Após acerto de detalhes e conteúdo o ginásio 90 graus e o site Alta Montanha estão em conjunto oferecendo um novo curso básico de escalada em rocha.
Este curso é voltado para o público interessado nas técnicas indispensáveis para o bom exercício da atividade, sempre priorizando a segurança e o desempenho. Aprende-se desde os conceitos básicos da escalada em rocha, técnicas de ascensão e descenso, técnicas básicas de auto-resgate, bem como o manuseio e manutenção dos equipamentos utilizados e ética. Uma aula de nós também está inclusa, já que é suma importância, a correta realização dos nós para a segurança dos escaladores. O curso possui 16 horas/aula, divididas em duas aulas teóricas, a serem dadas em São Paulo e uma aula prática, a ser dada no município de Pedra Bela - SP.
Por fim, ao final do curso, o aluno estará em condições de realizar escaladas em rocha com autonomia, estando esta sob sua inteira responsabilidade, inclusive aprendendo as técnicas para guiar vias de escalada com proteções previamente fixadas.
Inscrições abertas pela página de contato.

Próxima turma:
03 de Maio das 19h às 23h - aula teórica
05 de Maio das 19h às 23h - aula teórica
08 de Maio das 9h às 17h - prática em rocha

Locais:
Aulas teóricas em sala de aula localizada na Av. do Cursino, São Paulo - SP. Prática em Pedra Bela - SP (120 km de São Paulo)

Conteúdo abordado nas aulas

1ª aula (4h):
Apresentação aos equipamentos utilizados na escalada em rocha com proteções fixas ? características, usos, conservação.
- Cordas;
- Cadeirinhas;
- Mosquetões;
- Costuras;
- Freios;
- Fitas tubulares e chatas;
- Cordins (cordeletes);
- Capacetes;
- Sapatilhas;
- Carbonato de Magnésio;
Apresentação dos nós utilizados em escalada em rocha, conceito nível básico ? prática em sala de aula.
- Nó Oito Duplo, pelo chicote;
- Nó Oito Duplo, pelo seio;
- Nó Volta do Fiel;
- Nó UIAA;
- Nó Boca de Lobo;
- Nó de Fita;
- Nó Pescador Duplo;
- Nó Azelha;
- Nó Prusik;

2ª aula (4h): - Revisão e avaliação prática de nós;
Conceitos de escalada:
- Tipos de escalada;
- Tabelas de graduação de escalada;
- Correta montagem/desmontagem de paradas;
- Segurança para o escalador (sob e sobre o mesmo);
- Realização de Rapel com sistema de backup;
- Correta colocação de proteções intermediárias, para o guia;
- Conceitos de segurança, para o guia;
- Queda ?fator dois?;
- Conceitos teóricos de auto-resgate.
Ética da escalada e mínimo impacto;

Aula prática (o dia todo ? 8h): - Em Pedra Bela/SP (120 km de São Paulo).
- O aluno irá colocar em prática o aprendido nas aulas teóricas escalando como participante, em ?top rope? e simulação de via guiada. Também efetuará montagem e desmontagem de paradas assim como descida por corda (rapel) com sistema de backup. Também será feito exercício de auto-resgate, com ascensão direta pela corda.

- Ao final do curso o aluno terá todo embasamento teórico e prático para realizar escaladas em locais com proteção fixa com total autonomia e segurança.
Investimento:
3 parcelas de R$ 150,00 ou 10% de desconto para pagamento a vista.
Incluso no curso:
- instrução personalizada;
- equipamentos de segurança certificados para uso durante as aulas;
- material didático (um exemplar do livro Escale melhor e com mais segurança para cada participante);
- um vale diária no ginásio 90 graus.
Não está incluso alimetação e deslocamento até a sala de aula e local da aula prática, sendo organizada entre os instrutores e alunos no decorrer do curso.
É desejável que o aluno tenha sapatilha de escalada, caso tenha dúvida entre em contato!

Turma mínima/máxima: 6/12 alunos.
Inscrições abertas pela página de contato.



Instrutores:

Os instrutores deste curso, além de serem amigos e parceiros de escalada, praticam montanhismo e escalada há diversos anos com experiência no Brasil e exterior. Todos tem grande conhecimento na área técnica da escalada com destaque especial para procedimentos de segurança. Além disso todos estão "na ativa", atualizados com as novidades da área e se aprimorando a cada dia.

Tacio Philip, 33 anos. Fotógrafo e empresário. Com mais de 10 anos de experiência em escalada em rocha e montanhismo escalou em diversos estados do Brasil e exterior, com destaque para região de São Bento do Sapucaí, Pedralva, Salinas, Rio de Janeiro, "Aguja de la S" em El Chalten na Patagônia Argentina etc, sempre com preferência para o estilo de escalada tradicional. Ainda possui no currículo cursos como "Resgate em Montanha" pelo Cosmo e "Avançado de escalada" com Eliseu Frechou entre outros.
Também é montanhista tendo escalado um grande número de montanhas do Brasil, com foco principal na Serra da Mantiqueira e algumas no exterior (Bolívia e Peru). Também realizou diversas travessias e expedições para montanhas pouco exploradas.
Mais informações no site www.tacio.com.br.

Pedro Hauck, 29 anos. Geógrafo e montanhista. Foi diretor de escalada da Federação Paranaense de Montanhismo e também do Clube Paranaense de Montanhismo, onde ministrou diversos cursos de escalada. É colunista e editor do Site AltaMontanha.com, um dos principais meio de comunicação do montanhismo em língua portuguesa.
Já participou de uma dezena de expedições à montanhas andinas, tendo alcançado cume em cerca de 30 montanhas de altitude. Possui ampla experiência em escalada em rocha no Brasil, já tendo escalado em diversos Estados, desde O Rio Grande do Sul até o Nordeste.
Mais informações no site www.pedrohauck.net.

Victor Carvalho, 27 anos. Oficial do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. É instrutor no Clube Alpino Paulista de Escalada Avançada em Rocha. Possui Curso de Escalada em Gelo e Deslocamento em Glaciares, pela ?Andes Ascenciones? (Argentina).
Pelo Brasil já escalou diversas vias na Pedra do Baú, Dedo de Deus, Agulha do Diabo, Pedralva etc. Já escalou diversas vias no Rio de Janeiro e Minas Gerais, em locais como: Pão de Açúcar, Corcovado, Pedra da Gávea, Urca, Babilônia, Parque dos Três Picos, Serra do Cipó, Andradas, região de Itajubá, entre outros locais.
No exterior, realizou escaladas técnicas na região de El Chaltén, patagônia argentina. Já realizou diversas travessias de montanha no Brasil e exterior, como a Travessia Marins-Itaguaré, Petrópolis-Teresópolis e Serra Fina. Fora do país realizou a trilha Inca (Peru), além de caminhadas diversas em Torres Del Paine (Patagônia chilena), Parque Nacional los Glaciares, Parque Nacional Tierra Del Fuego e Cerro Tronador, na patagônia argentina.

Mais informações no site www.victorcarv.blogspot.com.

Inscrições abertas pela página de contato.

segunda-feira, 28 de março de 2011

sábado, 26 de março de 2011

A difícil e conturbada volta

Depois de tirar do papel o projeto de dezembro de 2009, concretizando tudo em 75 dias nos Andes, quatorze meses se passaram em desemprego. Em 1° de março comecei uma nova jornada em uma nova empresa, voltei à folha de pagamento e já tenho projeto para 2012!

Não foi nada fácil. Os mais chegados acompanharam tudo de perto e o projeto foi relativamente bem sucedido. O que veio depois é que não foi tão legal. Passei o diabo e a dureza chegou perto de uma perna de três. Vendi dois terços dos equipamentos e se não fosse a bota que recebi por garantia da Salomon, nem bota teria. Mas, as épocas secas passaram.

Comecei a trabalhar como Supervisor Financeiro em uma ong, a Associação Cívica Feminina na Barra Funda, bem ao lado do Parque da Água Branca onde passo meu tempo de almoço relaxando olhando gangues de patos e pintinhos com suas mães. Nem tudo é cheiroso e agrada, no dia 18 de março me aborreci seriamente no trabalho, explico: A Associação tem unidades diferentes, mas tudo dentro do mesmo complexo educacional, temos uma creche, um núcleo infantil, uma unidade de Reabilitação pra Deficientes Visuais, e um Colégio chamado Olga Ferraz.

Neste dia tirei cinco minutos pra conhecer a URDV e fui repreendido de uma forma grosseira e desrespeitosa pela minha superior, quem me entrevistou e me colocou lá. Fiquei tão aborrecido que comuniquei o ocorrido pro conselho da ong, larguei tudo e fui pra casa em pleno horário de trabalho transtornado.

Aconteceu que o tiro saiu pela culatra, mas não o meu, o da pessoa que me ofendeu. Segunda-feira a pedido do conselho fui até a associação e depois de uma conversa ótima fui convidado a continuar o meu trabalho. Topei. Depois de horas fui convidado pra outra reunião, fui promovido a Gerente Administrativo Financeiro. Como são as coisas não?

Tirando isso, a minha readaptação à formalidade é gradual, mas tensa:

>O metrô de São Paulo está pior que trem no Rio de Janeiro, lotado é pouco;
>Tão lotado que nem dá pra se segurar;
>Outro dia na Sé entrei de um lado e fui saído do outro, não consegui ficar dentro;
>O calor humano de dentro da composição as vezes é insuportável...
>Gera suor, e o suor é compartilhado braço a braço;
>Todo dia gasto cerca de 2h e 40m só indo e voltando do trabalho;
>Chego em casa, tomo um banho janto e durmo;
>O barulho do trânsito me ofende tremendamente.

Bem, estes são pontos negativos, existem os bons...

>Sexta-feira teve a festa dos aniversariantes do mês e fui incrivelmente ovacionado;
>Minha recepção foi incomum, e por isso fui parabenizado em particular pelo conselho;
>Nunca trabalhei em um lugar com comida tão, mas tão boa;
>Na minha sala nova trabalho com o barulho de galos cantando dentro do Parque da Água Branca;
>Quando eu bem entender posso levar minha máquina fotográfica e ir ao parque;
>É ótimo relaxar por lá...
>Todo mundo gostou de mim, fui recebido como pai de uma grande família;
>Já tomei uma série de providencias emergenciais pra corrigir problemas causados pela administração anterior;
>Sinto-me seguro trabalhando lá, e o ambiente de trabalho mudou da água pro vinho;
>As pessoas voltaram a rir nos corredores.
>Meu salário subiu 98% em só 17 dias de trabalho.

Como eu disse, está dando tudo certo. A adaptação não é muito fácil, mas eu não me rendo, não quero saber de habilitação e de carro, seguro, ipva, sinistro, pneu, combustível...não! Aproveito a oportunidade pra agradecer a todos que torceram por mim e me deram força, seja ela presente, por e-mail, em pensamento, não interessa como. Força é força.

O que acontece agora? Agora tenho convites de todo lado pra escalar. Posso até escolher. Tenho convite até pro Nepal de dois amigos europeus que vão tentar a sorte em montanhas grandes por lá. Mas como pra lá o dinheiro é mais pesado, acho que não vai rolar. Fora disso me centrei em duas opções principais aqui mesmo e algumas na Europa. Nada certo ainda, pois só o tempo dirá.

O que importa é que as opções são muito, muito legais. Melhor de tudo, ao meu alcance financeiro. Claro, vou precisar renovar alguns itens da minha lista de equipamentos, comprar outros, mas nada impossível. Tenho quatorze meses inteiros pra fazer isso e antes de mais nada, me decidir. Só adianto uma coisa, é montanha de mais de seis mil metros.

O mundo tem muitas opções, e acertando minha vida em dois meses (dívidas), a partir do terceiro mês já consigo começar a preparar o terreno pra nova aventura como trocar de câmera fotográfica, uma das prioridades! Hehehe

Enquanto o tempo não passa, vou concluir este inverno algumas metas que programei aqui na nossa terra, montanhas que já adiei por tempo suficiente, quatro anos. As chuvas estão começando a diminuir e logo em meados de abril acho que já dá pra fazer umas duas que estão na minha programação. E Daí tudo vai seguindo seu rumo, se der certo, sem problemas.


Vulcão San pedro. Solo, de bivaque, bebendo isotônicos. Realizado!


Vulcão Putana, um sonho à ser realizado, não sei quando.


Mont Blanc. Montanha linda, fácil, mas perigosa. Realizado!


Illiniza Norte de 5.125 metros, tentei duas vezes mas não deu. Tempo péssimo.


Vulcão Aucanquilcha, belíssimo vulcão quase nunca escalado no atacama. Realizado!


Cerro Vallecitos. Sonho realizado!


Interessante como o mundo dá voltas não?

Abraços a todos,

Parofes

Este texto também está disponível na minha coluna no alta montanha: http://www.altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=2830

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pensamento do dia

"Quem fala o que quer, escuta o que NÃO quer."



"Tá pensando o que? Eu sou o cara aqui!"


A gangue do parque. Aterrorizam tudo.


"Só quero é calmaria..."


Aranha e pequenas flores. A aranha tinha cerca de 2 cms. Fez sua teia entre duas palmeiras.


Fotos que tirei hoje no Parque da Água Branca, São Paulo.

Abraços a todos,

Parofes.

sábado, 12 de março de 2011

Video nascer do sol em Itanhaem

Foi engraçado, pois fiquei na areia desde muito cedo, quando ainda tinha horário de verão, absolutamente sozinho.
Iniciei o vídeo duas vezes achando que estava na hora, mas depois de dois vídeos de dois minutos cada a bateria estava acabando, então olhei pra baixo, desliguei a câmera, troquei a bateria pra ter certeza e também troquei o cartão de memória. Gastei no máximo uns 45 segundos pra fazer isso tudo.

Quando olhei pra cima já tinha começado, putz!!!! Enfim, perdi o início.

Pra completar, quando estava pra completar o processo, faltava segundos (no máximo uns 20) pro sol sair completamente do horizonte deixando de tocar a água, uma mulher passou na frente do vídeo e tive que parar a filmagem. Putzzzzz 2!

Ah, qualquer dia volto lá e faço um novo. Mas mesmo assim, não deixou de ser um espetáculo...A intenção era acelerar depois, colocar uma trilha sonora legal, mas perder o início e ter que cortar o final arruinou tudo, cortou o tesão.

O vídeo:



Abrazos

Parofes

quarta-feira, 9 de março de 2011

A chuva, o Cisne Negro, o Garrafão e o Thundertank!

Feriadão de carnaval pra montanhistas que não gostam de carnaval, de ficar em casa olhando essa chuva desgraçada acabar com a tranqüilidade na vida de muitos, modificar a paisagem da natureza em semanas (mudanças que normalmente levariam centenas ou milhares de anos), ficar em casa na deprê pra quê? Mantiqueira neles!

A Chuva

A chuva fez muitas vítimas na minha cidade natal, Rio de Janeiro. Mas acabamos constatando que as chuvas anormais deste verão 2010-2011 não modificaram paisagem de montanhas só na região serrana do Rio, sem querer presenciamos outro local cravado no interior da Serra da Mantiqueira que sofreu provavelmente tantas modificações quanto o Rio sofreu com uma grande diferença, na cidade em questão, os pedaços colossais de montanhas que cederam não acertaram zonas povoadas.

A cidade em questão foi Alagoa, que fica nas proximidades de Itamonte e Aiuruoca, dentro da Serra da Mantiqueira. Mais precisamente cerca de 20 kms fora da cidade, ganhando altitude nas estradas de terra fora da zona metropolitana do pequeno município mineiro. Explico como tudo aconteceu...

A viagem começou com pretensões bem legais, subir montanhas sem registro de cume aqui no Brasil por muito tempo. Quais são? Não interessa! Uma vez que não conseguimos encontrar o acesso, fica guardado para ser divulgado quando acontecer, já que um acesso mais longo conhecemos, mas resolvemos testar um outro. Da próxima vez, daqui há uns três meses, faremos estas montanhas e outras então será devidamente divulgado aqui e nos respectivos blogs.

Enfim, acabamos conhecendo um cara gente boa, sua esposa e duas filhas divertidas, e fomos convidados a compartilhar de um chá quente (estávamos molhados depois de pular arame farpado pra tentar encontrar a trilha) e uma conversa. Depois de um tempo pedimos permissão pra fazer acampamento dentro da propriedade e recebemos a permissão. Só que acabou não rolando por causa da chuva ininterrupta. Acabamos bivacando na varanda da casa eu e Victor, Tácio e Paulinha dormiram dentro do carro mesmo.


A consequência das chuvas em Alagoa/MG

Choveu a noite toda sem parar. Chuvinha fraca, mas que molha até a dignidade do homem, encharca o solo e só dá dor de cabeça. Paciência. Acordamos com chuva, tomamos café da manhã com chuva e decidimos mudar os planos por causa disso. Pra não voltar pra casa sem fazer nada resolvemos dar uma passada em outra montanha mais tranqüila, onde poderíamos fazer cume mesmo com chuva, e depois disso se o tempo ajudasse, queríamos encontrar rota para outra montanha mais próxima dali.

O Cisne Negro (interna!)

De dualidade que impressiona, presença constante nas conversas de paradas sob os gotejos de chuva em um bosque dentro de propriedade cercada por arame farpado recém colocado.

Este cisne é bom com vôos, pois passou por cima do obstáculo sem problemas, chegando onde nenhum cisne jamais esteve, e retornando à sua comunidade de aves com novidades pouco encorajadoras, contando o infortúnio que passou naquelas picadas molhadas e sem esperança.

Infelizmente ele não encontrou o caminho tão esperado para o grande, enorme vizinho de peitos e ombros cabeludos em pelo verde como de extraterrestres oriundos de Arquivos-X. Voltou pra seu pequeno lago desolado e com sentimento de ter falhado com seus companheiros. Entretanto, passou pelos quatro aventureiros que ali estavam, os aceitou em seu meio e resolveu acompanha-los em pensamento por toda a jornada de volta a cidade dos vinte e um milhões, feita de concreto, poluição, desonestidade e violência. Tudo que lhe restou fazer no resto daquele dia de céus cinzentos foi sentar-se em seu ninho aconchegante, e papear com sua vizinha a galinha, que tentava aquecer seu ovo solitária naquele buraco do carvalho cinqüentenário, perto e bem perto de dois pintinhos já crescidos.

Nessa fronteira tríplice carioca, mineira e paulista acontece de tudo viu!

O Garrafão

Decisão tomada, depois da caminhada de reconhecimento nos despedimos da família e voltamos pra estrada ainda sob chuva. A idéia era chegar ao município de Alagoa e subir o Pico do Garrafão (ou Pico de Sto Agostinho) e tentar descobrir caminho para uma mais, cujo nome certamente permanecerá em segredo. :)

Depois de quase duas horas na estrada e com tempo um pouco promissor até, chegamos na estradinha de terra que liga a zona metropolitana da diminuta cidade (segundo o censo realizado pelo IBGE em 2010 a cidade só tem 2709 habitantes!) e a paisagem que tivemos não foi nada agradável.

As montanhas que cercam esta e outras cidades das redondezas sofreram drasticamente com as chuvas que destruíram a zona serrana no Rio de Janeiro. A sorte é que não existe lá uma concentração populacional tão grande quanto existe no solo carioca. É sério, a visão impressiona...

Passamos por tudo aquilo e conseguimos chegar até a fazenda isolada no meio das montanhas do Sr Odir. Estacionamos o carro e começamos a caminhar sem chuva, sem vento, e com uma temperatura até agradável de início. O primeiro tramo ganha altitude rapidamente, o corpo esquenta e a sede pega. Fiquei um pouco pra trás, ainda fora de forma e sofrendo com o calor. Demorei pra me aproximar de novo do grupo, já na metade do caminho até o cume.

Bem, depois que o corpo chegou a harmonia com a montanha e com o tempo que começou a nos molhar um pouco de novo, consegui manter a passada e encostar fazendo novamente parte do grupo, já a cerca de 2.100 metros. No momento que chegamos ao cume a chuva já caía como no dia anterior, sem parar mas não forte, e como essa perquira de chuva molha viu, muito pro meu gosto...

Medição: Encontrei a altitude de 2.382 metros no meu gps, e o Tácio encontrou se não me engano 2.394 no dele. Consideravelmente mais altas do que a do IBGE que determina a altitude nominal de 2.359 metros pro pico. Pena que não pude ver a montanha, mas hoje olhando as fotos do Tácio do ano passado achei muito bonita!


Descida do cume, molhados

Esta montanha é praticamente esquecida pela comunidade de montanhistas brasileiros, conheço algumas pessoas que subiram como o Felipe Dias (mora ali pertinho e conhece a Mantiqueira de ponta a ponta), o Tácio com a Paulinha no ano passado, sei que o Soto já foi lá com seus amigos e se não me engano o Lacaze também foi. Fora estes e salvo conduto alguém que não citei aqui, só locais freqüentam a montanha.

Mais uma que eu precisava culminar, estava na minha lista de objetivos para este ano e acabei cumprindo antes da temporada oficial de montanhismo aqui no Brasil, que só começa no final de maio. “Adiantei o serviço!”. Culminar a montanha foi inédito pra mim e pro Victor, pro Tácio e pra Paulinha foi repetição.

O Thundertank

O carro do Tácio surpreendeu a todos nesse feriadão de carnaval, não só eu, o Victor e a Paulinha, o próprio Tácio viu que com esse Palio Weekend o buraco é mais embaixo!

Como eu disse antes, no caminho de ida passamos pela estrada que dá acesso a Serra do Papagaio e a Serra de Sto Agostinho, nosso objetivo alternativo pra viagem. Quando lá chegamos tivemos uma visão apocalíptica impressionante. Pedaços inteiros de montanha desceram cobrindo estradas e levando tudo que tinha na frente. Abrindo verdadeiras valas nas encostas das montanhas da área.

Não eram pedacinhos não, as valas abertas tinham de 20 a 50 metros de largura, e desciam as montanhas desde as partes mais altas até o vale que corta a serra cerca de 300 metros verticais abaixo, então dá pra ter uma idéia de quanta tonelada de barro e árvores vieram abaixo ali...Provavelmente centenas de milhares de toneladas de entulho.

Na fazenda do Sr Odir ficamos sabendo que ficaram isolados lá por 18 dias, receberam comida de helicóptero até que a prefeitura conseguisse liberar a estrada de metros de entulho. Em alguns pontos, analisando as laterais da estrada, dava pra ver que o barro acumulado ali tinha as vezes até cerca de seis metros de altura! Incrível...

Passamos sem problemas na ida, mas tinha um trecho de uns vinte metros de estrada em leve curva que preocupou mesmo na ida, quando a chuva já tinha parado. Estava bem lamacento e o risco de atolar ali era muito grande. Fomos assim mesmo e o carro passou sem titubear. Mas na volta, quando descemos da montanha pegando chuva mais forte todos calados pensavam a mesma coisa: “Será que o carro vai passar daquele ponto?”.

Chegamos lá e resolvemos filmar o resultado. Já tinha parado de chover de novo e saiu um vídeo mesmo que mal filmado (fiquei olhando pro carro e não pra câmera! Kkk) mostrou o bom desempenho do carro que, mesmo sambando um pouco, passou fácil o lamaçal! Comemoramos bastante e o carro acabou ganhando o apelido de thundertank! Então fiz esse vídeo comemorativo abaixo, não deixe de ver!


O Thundertank na mantiqueira!

Bem, acho que agora deu pra entender o título do texto certo?

Depois disso tudo voltamos pra São Paulo sem muitas esperanças de melhora no tempo. Acabamos voltando antes da hora, mas isso foi até bom pois escapamos do congestionamento de hoje (08.03.2011) que provavelmente será bem complicado.

Espero que tenham gostado e não se preocupem se não entenderem algumas partes, são na grande maioria piadas internas hehehe

Fotos:

Bivaque na casa do André gentileza. Fica aqui um abraço.


O jardim da casa, tranquilidade pura.


Montanhas próximas da casa com altitude de aprox 1.300m.


Uma cigarra.


Um gafanhoto bem pequeno de uns 2 cms no máximo.


Começando a subir o Garrafão sem ver a montanha.


Cume do Garrafão (altitude de 2.382m a 2.394m, não sei a correta).


Descida molhada.


Deslizamentos de terra pra todo lado na estrada de acesso a Serra do Papagaio e a Serra de Sto Agostinho.


E mais deslizamentos...


Abrazos secos a todos!

Parofes