quarta-feira, 20 de julho de 2011

Antes tarde do que nunca: Pico Itaguaré.

Nem que seja em esquema bate-volta. Mas agora finalmente cheguei ao cume desta lindíssima montanha nacional.

Quando publiquei aqui no meu blog o relato de quando eu, Pedro e Camila fomos ao Marins, um rapaz gente boa o Bruno comentou e deixou convite pra passar por lá de novo. Oferecendo ajuda com transporte, pouso e até mesmo refeição.

Acabamos trocando diversos e-mails e fiquei de voltar lá ainda este inverno. Bem agora finalmente fui.

Fizemos assim, marcamos tudo por e-mail, falamos ao telefone uma vez e ficou tudo certo. Sexta-feira saí do trabalho direto pra rodoviária, chegando a Cruzeiro por volta de 22:40h. Direto pra estrada dali. Eu, ele e a esposa Shirlei. Levamos bastante tempo e chegamos na base do Itaguaré, final da travessia, lá pela 00:20h. Fazia bastante frio. Tirei o relógio do pulso enquanto montava a barrava pra medir a temperatura e antes de ir dormir era de só 1°C. Sabia que faria mais frio depois já que a pior hora é entre 04:00h e 06:00h, mas não esperava tanto...

Jantei uma lata de dobradinha, uma lata de rabada (ambas swift) e fui dormir enquanto o Bruno e a esposa ficaram conversando noite afora.

Acordei por volta de 06:20h doido pra urinar, mas o frio era tanto que ficar dentro do saco de dormir estava mais confortável. Enrolei até umas 06:35h quando já não dava mais pra segurar.

Saí da barraca e o inesperado: Geada. A barraca com uma fina camada de gelo consistente, não aquele gelo que derrete rápido ao toque, quando eu bolinava na barraca os pequenos cristais caiam no chão. Rapidamente peguei o relógio (que dentro da barraca marcava só 0.2°C e deixei do lado de fora pra medir.



Depois de três minutos medindo ele já marcava -3,4°C, quando fiz o vídeo. Depois de mais alguns minutos depois de feito o vídeo a medição continuou e ele continuou caindo, e estacionou em -5,3°C! Será que alguém registrou isso no dia???

Fazia um baita frio e eu não estava preparado (a sensação era de no mínimo -10°C), só tinha comigo o fleece, segunda pele e bermuda! E foi isso mesmo que usei pois era o que tinha, não fui preparado pra um frio desses pois não havia previsão pra isso. Aliás, o motivo pelo qual ninguém sabe é que ninguém monitora. A base do Itaguaré é muito isolada da civilização de Cruzeiro e Cachoeira Paulista. Apesar de ser apenas 15 ou 20 kms de estrada de terra da cidade parece muito mais, um pequeno bairro ali perto e mais nada.

Não existe uma antena de celular, uma antena parabólica, nada. Possivelmente aquela região tem temperaturas negativas repetidas vezes nos invernos e ninguém sabe pois não se registra nada.

Arrumei tudo, fiz o video e fotos e comecei a andar sozinho. A trilha é super batida então fui passeando sem ninguém pra me perturbar. Chegando na base do Itaguaré subi até o acampamento morena e de lá tracei uma linha reta pra chegar até a base do Itaguaré. A rota normal dele é da travessia, logo após o acampamento da base a trilha desce pra florestinha de bambus e cruza-a pra direita, contornando o Itaguaré pra lá. Em determinado momento, ela se divide e pra direita segue-se a travessia rumo Castelos e a esquerda é o ataque ao Itaguaré. Dali até o cume deve dar no máximo dez minutos.





Só que eu fiz diferente, descendo do morena pra base dele dei de cara com umas gretas na rocha sinistras, eu conseguia ver o chão a uns cinco metros abaixo e dava um medo danado pular de uma rocha pra outra, então procurei caminho feito doido até que consegui atravessar uma quicaça fdp até o outro lado, chegando às lajes de pedra bem na frente dele. Ninguém sobe por ali, é muito, muito ruim.

Cheguei do outro lado depois de meia hora de tentativas e cheio de mato nas botas. Dali comecei o trepa-pedra até que cheguei a uma fenda na rocha tipo diedro, pensei "Porra, que merda estou fazendo aqui???". Mas daí já era, voltar não era uma opção. Enfiei os braços na fenda que era acompanhada de alguns matinhos que me davam alguma estabilidade, consegui superar o trecho que dava algo em torno de uns cinco metros. Se eu caisse, era no mínimo uma perna quebrada...

No topo desa fenda peguei mais a direita até que encontrei a trilha normal por totens, seguindo cheguei até a base do cume.

Escutei falar tanto do "pulo do gato" e imaginei um inferno. De fato impressiona olhar pra baixo e ver aquela infinidade de exposição e a profundidade da fenda, mas poxa, dá pra passar andando sobre a rocha kkkkkk

Passei e logo pisei no cume. Pequeno, só cabe confortavelmente cerca de quatro pessoas, visual absurdo de belo de 360 graus com o Marinsinho e o Marins se edificando como montanhas alpinas bem perto! Que visual...Fiquei no cume quase uma hora e meia...sozinho, só curtindo o visual e a temperatura amena de vinte graus.



Agora era só descer, foi nessa hora que decidi descer pela rota normal e conheci a trilha correta. Não que eu tivesse errado na ída. Mas achei mais interessante fazer um ataque frontal do que seguir pela normal que é bem óbvia e meio entediante.

Na descida logo que cheguei ao acampamento em só dez minutos desde o cume encontrei dois amigos subindo. Depois quando atravessava o grande campo rochoso até o início da descida um trio, daí pra frente deu foi engarrafamento. Cruzei com bastante gente subindo só pra passar a noite na base do Itaguaré buscando o frio bom.

A descida foi muito rápida, cheguei de volta ao acampamento em só uma hora e vinte minutos. Reencontrei o Bruno e a Shirley, desmontamos tudo e pegamos a estrada.

Fiquei na rodoviária e o casal seguiu seu caminho, a esposa do Bruno com uma gripe coitada.

Da rodoviária fotografei o Marins, Marisinho e Itaguaré, esperei a hora do meu ônibus e voltei pra casa.

Foi uma viagem super rápida, mas que me tirou uma pendência de anos, culminar o Itaguaré. Montanha super bonita do nosso país e que faz parte de uma das cinco travessias mais tradicionais do Brasil, a renomada Marins - Itaguaré.

Fotos:























Abrazos a todos

Parofes

3 comentários:

Jopz_B1B disse...

PUTA FRIO! Fiquei com inveja he he he.

JOPZ

Umes disse...

Legal demais, ja peguei -1° no Marins em 2010 no cume e fiquei de boa,,mas 5 abaixo queria ter tido esse prazer,bons ventos,,abraços!
rafael

Jopz_B1B disse...

Semana que vem vou emendar o feriado e acompanhar o pessoal da AMC na travessia itaguareXmarins, ótimas informações por aki, mas se tiver mais alguma dika pode mandar para j_israel@ig.com.br

- sabe como são os pontos de água?
- melhor sair do itaguaré para o marins?
- tem um track em gps?

valeuz,

JOPZ