quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Liberdade é musical!

Assim como a vida é musical, a liberdade nas montanhas é essencialmente musical pra mim.



Eu vivo música, vou dormir escutando música, faço trekking escutando música, escalo alta montanha escutando música. A cada paisagem como estas que vejo, escuto música mesmo sem o mp3 ligado.

Sem música não sou nada!

Parofes

Carmina Burana (Tradução)

Ó Fortuna
És como a lua
Mutável
Sempre cresces
Ou diminuis
A detestável vida
Ora oprime
E ora Cura
Para brincar com a mente
Miséria
Poder
Ela os funde como gelo

Sorte monstruosa
E vazia
Tu, roda volúvel
És má
Vã e a felicidade
Sempre dissolúvel
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias
Agora por brincadeira
O dorso nu
Entrego à tua perversidade

A sorte na saúde
E virtude
Agora me é contrária

E tira
Mantendo sempre escravizado
Nessa hora
Sem demora
Tange a corda vibrante
Porque a sorte
Abate o forte
Chorai todos comigo!


Fonte: http://letras.terra.com.br/apocalyptica/1105938/traducao.html

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Venda de ítens

E ai pessoal!

Na verdade não gostaria de ter que vender nenhum dos ítens, mas, as vezes a própria escolha não é uma opção.

Lá vai:

1 - Tubo adaptador para lentes sony, original. Só serve para sony DSC-H20. Comprei ha 6 meses (DEZ2009) e estou vendendo, parece novo, não tem nenhum arranhão. Valor: R$ 100,00 + frete.

Tubo exclusivo para sony DSC-H20. Original (seguirá com caixa original)


2 - Lentes de macro (close-up) 4x + grande angular, ambas de 58mm e com tampa protetora dianteira e traseira. Servem para qualquer máquina que tenha um adaptador de 58mm. Vendo juntas a R$ 100,00 + frete.

As lentes


3 - Máquina digital Canon A430 - 4.0 MP. Defeito no CDD para foto, porém filma sem problemas. Preço: R$ 50,00 + frete.

Canon A430: Custo do reparo em cerca de R$ 130,00


4 - Mitones: Luva para alta montanha em gortex + pluma. Similar na andes gear custando aprox. R$ 400,00. Usada somente por 3 dias, nem sujeira tem, nova comprada em março deste ano em Mendoza - Argentina. Preço - R$ 300,00 (sem custo de frete).

Como novas!



Interessados escrever para: parofes@gmail.com

Abraços

Parofes.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Gigantes do Ibitiraquire - parte 2

Cansado de ficar deitado e sem dormir, comecei a me levantar cerca de oito da manhã. Escutando o barulho do zíper do meu saco de dormir o Pedro levantou na mesma hora. A noite foi desconfortável tanto pra mim quanto pra ele. Me virava o tempo todo buscando uma posição cômoda pra dormir mas o solo irregular e inclinado não ajudava nada. Isso não me incomoda tanto assim na montanha, pelo menos não por três noites, mais que isso já fica complicado.


Olha a Torre da Prata lá, que animal!


Começamos a preparar nosso café da manhã, pizza de frigideira! Rapaz que maravilha, comemos feito sultões, um verdadeiro banquete na montanha, ao ar livre e com tempo bom! Comemos, comemos e comemos. Encher a barriga antes de caminhar é garantia de energia nas pernas pra caminhada que se seguiria.


Pouco antes da Pizza!



Tudo no Brasil acaba em pizza mesmo!


Quando olhamos a hora já era bem tarde, passava das 09:00h! Limpamos tudo, organizamos tudo dentro da mochila e capa de chuva e escondemos nas caratuvas que ali há. Começamos a caminhar às 09:30h. Nosso destino neste dia era o longinquo Pico Ferraria. Com 1.754 metros de altitude ele desafia muitos que não ousam tentar seu cume. Já escutei tantas estórias sobre o Ferraria assim como escutei do Ciririca. Não posso dizer que confirmo nenhuma delas.

Descemos por uma trilha bem aberta e muito bem marcada com fitas, passamos pelo ponto de água que o Pedro fora na noite anterior buscar água, estávamos em outra floresta nebular super agradável de se caminhar. Nem precisávamos prestar muita atenção à trilha de tão aberta, conversávamos o tempo todo.

Mas, alegria de montanhista na Serra do Mar não dura muito mesmo. Chegando ao colo que liga as duas montanhas encontramos uma quiçaça chatinha. Trata-se de uma sequência de cerca de 300 ou 350 metros de trilha onde predomina bambú fogo e bambú tradicional caído sobre a trilha, fazendo uma verdadeira malha (ou teia) que literalmente se agarra em tudo. Em três pontos cujo trajeto não passa dos 5 ou 6 metros de trilha, o único jeito é se deitar e ir como um soldado mesmo, se arrastando. Foi o que fizemos com gosto, rindo e sem reclamar, ainda parando pra fotografar e comer BIS debaixo da malha! ahahahahhaa


Onde está Wally?


Na ída, durante o último trecho de se arrastar, o Pedro resolveu deixar sua mochila ali pois agarrava muito. Afinal de contas, não sabíamos quanto mais daquela quiçaça encontraríamos pela frente, seria mesmo um saco ele ficar preso a cada 3 metros de trilha. Ali era terreno novo para nós dois. Deixou a mochila e marcou o ponto no GPS. Seguimos adiante e ironicamente aquele era o último trecho de bambuzinho e de vida de milico. A trilha se reabriu em uma floresta delicadamente fantástica, com árvores altas que impediam a entrada da luz do sol, deixando o ar bastante úmido e a caminhada mais que agradável!

Na saída deste último trecho chato, entrada da linda florestinha, demoramos uns cinco minutos pra ver a trilha que parecia ter desaparecido, mas encontramos dez metros acima, e nela continuamos sem problema algum, sempre seguindo a trilha muito bem definida e marcada com fitas. Uma janela entre a copa das árvores se abriu e pude ver o céu, totalmente nublado. Comentei com o Pedro que o tempo me preocupava e ele me respondeu "também estou preocupado", mas, estávamos muito perto e apesar de estar tudo nublado, não vimos proximidade de chuva. Ventava bastante.

Com a mesma tranquilidade que subimos chegamos ao trecho de rocha, uma pequena passagem de chaminé pra continuar. Só tirei a mochila pra facilitar e fomos embora. Cinco minutos depois estávamos no cume do Pico Ferraria, desviando dos formigueiros que lá montam guarda. Levamos no total desde o primeiro cume do Taipabuçú 2h e 40m até o cume do Ferraria.


Eu no cume do Ferraria.



Pedro no cume do Ferraria.


O céu estava nublado, porém nuvens bastante altas, o que significava que nossa visão não foi em nenhum momento limitada e, que podíamos ver tudo lá de cima, até o mar! Visibilidade realmente muito boa, um ângulo quase nunca visto do grupo do Pico Paraná, de onde predomina a parede do Pico Ibitirati e seus 600 metros de rocha. A norte víamos o Pico Ferreiro, ainda menos frequentado. Mais ao norte e um bocado mais distante a Serra do Capivari. Entre o Pico Paraná e Camelos de um lado e Ciririca do outro, despontava como uma ilha o pico Torre da Prata, que montanha linda! Me inspirou desejos de voltar ao Paraná por lados que ainda não pisei!


Panorâmica de parte da vista do cume. Destaque para: Grupo do PP, Agudo de Cotia, Ciririca, Taipabuçú (primeiro plano), Caratuva, Tucum e Camapuan.


Fizemos fotos de cume, apreciamos um pouco a vista, assinamos e lemos o livro de cume. A visitação do Ferraria é mesmo limitada a um leque bem seleto de montanhistas. Folheando o caderno, vimos poucas pessoas diferentes e muitas repetições de ascenções! Élcio Douglas assinou pela última vez colocando "26ª vez"!

Começamos a descida ainda impressionados como fora tranquilo chegar a este cume. Acredito que a melhor forma seja a que fizemos, passar uma noite no Taipabuçú pra subir a montanha, é menos desgastante e maximiza as chances de cume antes de mudança de tempo. No máximo um pernoite no Caratuva. Julio, para a próxima vez, iremos pelo caminho "onde a criança chora e a mãe não ouve"! Faltou você cara! risos

Pois bem, voltamos pelo mesmo caminho sem errar, pegamos a mochila, atravessamos todos os bambús já conhecendo o mapa da mina. Começamos a subida do Taipabuçú com o cansaço já batendo às portas (minhas). Sem desanimar e sem ligar pras dúzias de ferimentos e hematomas, continuei curtindo a aventura e esquecendo dos problemas que a vida social contemporânea nos dá de presente.

Após pouco mais de 2h de subida chegamos ao terceiro cume do Taipa e de lá seguimos ao primeiro onde deixamos nossas coisas. Sobraram duas linguiças do primeiro pacote aberto no café da manhã, decidimos então fazer o miojão de camarão com uma linguiça picada pra dar um sabor diferenciado no instantâneo.

Descansamos um pouco, comemos, nos hidratamos, juntamos as tralhas e começamos a descer a trilha. É engraçado como a hora passou quando sentamos no cume do Taipa de novo para este descanso...Olhei pro relógio e já marcava 16h! Incrível! A nossa idéia foi óbvia, seguir pela trilha que vem margeando o Caratuva por baixo ao invés de subir novamente seu cume. Essa picada foi aberta pelo Júlio e pelo Élcio tempos atrás. Entretanto continua bem aberta apesar de pouco frequentada.

Descemos e conforme entramos na floresta a luz do sol se foi com a copa das árvores, ainda era 16:30h e já era quase noite dentro da floresta na encosta do Caratuva. Continuamos sem nenhuma parada até a bifurcação trilha Getúlio - PP. Ali sentamos por 1 minuto, eu já estava bem cansado e Pedro aparentava estar muito mais disposto. Seguimos até a bica, ali tivemos que parar novamente pois precisávamos de bastante água para cozinhar já que carne seca exige pelo menos duas fervuras pra tirar o sal.

Agora sim, ficamos mais pesados e o cansaço pegou os dois. Seguimos caminhando e a hora avançava mais rapidamente, saindo da bica da trilha do PP era cerca de 17:25h, já não havia mais sol, lanternas pra continuar dali. Chegamos na bifurcação do Pico Itapiroca as 18:00h já completamente no escuro.

Apesar de estar escuro, a trilha é uma avenida de tão aberta e o desnível é bem pouco, já que a bifurcação fica a 1.660 metros de altitude e o cume do Itapiroca tem 1.805 metros, o acampamento, mais baixo ainda: 1.762 metros. Tínhamos que vencer apenas cem metros de desnível até o acampamento e mesmo assim foi bem cansativo.

Depois de meia hora chegamos lá, já era 18:30h, não víamos nada além da cidade de Paranaguá bem iluminada. Montamos a barraca, esvaziamos as mochilas e começamos a dar um look de acampamento. De repente notamos um fenômeno muito legal de se ver. Um mar de nuvens se formou nos vales, prenchendo tudo e tampando toda visão abaixo de si. Paranaguá não podia mais ser vista e a camada de nuvens começou a subir rapidamente, logo cobriu o Pico Camelos e começou a entrar para os lados do rio Cotia. Era uma visão indicativa de entrada de frente fria, confirmando a previsão do tempo que o Hilton deu pro Pedro via celular. Mesmo assim, ficamos abestados observando aquele Ballet sob nossos pés!

Luzes indicavam que o A2 do PP ainda abrigava campistas. Voltamos nossa atenção ao 39° jantar da montanha, que teria um PF com gostinho de comida da vovó: Arroz carreteiro com carne seca cozida! As comidas na montanha estão ficando cada vez mais elaboradas he he he. Ainda faço um assado hein!

Lambemos os dedos e entramos na barraca bem cansados, eu já cheio de dores musculares tomei dorflex pra aliviar e conseguir dormir tranquilo. Dormimos. Acordei pouco depois das 3 da manhã e não consegui dormir mais. Que coisa! Preciso dar um jeito na minha ansiedade na montanha, me tira noites e noites de sono!

Fiquei olhando o relógio esperando a hora passar e percebi gotas de chuva pouco depois das cinco e meia da manhã. Logo parou. O relógio despertou no horário que pretendíamos ver o nascer do sol, em vão, abri a barraca e não via vinte metros a frente! A frente fria chegou mesmo. Começou a chover e não parou por uma hora.


O Ciririca sempre vestindo a camisa de montanha mítica! Que imagem sombria!



Tá com sono Pedro? kkk


Quando a chuva aliviou nos levantamos e decidimos na mesma hora abortar a esticada de ataque até o Pico Paraná. Desceríamos sem sequer tomar café da manhã pois água começara a se acumular no terreno onde estava a barraca. Enquanto o Pedro juntava as coisas na mochila eu disse "Meu, já tô aqui, vô no cume do Itapiroca, sabe lá quando vai ser a outra chance meu?! É ali!". E lá fui eu aos sons das risadas do Pedro e sob chuva (risos). Sim, estava chovendo!


Tá na chuva é pra se molhar.


Levei uns seis ou sete minutos pra chegar no cume, olhei ao meu redor e desci pra rocha no falso cume onde fica a caixa do livro que não abri. Ali fiz um vídeo e voltei pra barraca em mais cinco minutos, fui bem rápido.

Terminamos de empacotar tudo e começamos a descida às 09:15h. Felizmente a chuva parou exatamente no momento que fechamos a mochila. Não podíamos ter pressa, trilha molhada, rochas escorregadias, um tombo e uma fratura estão ali olhando por detrás daquela moita, pisemos em ovos...

Uma eternidade de volta. Terreno que não acaba nunca! Chegamos na bifurcação e entramos no Getúlio, caminhamos sem pressa, sem preocupações, sem chuva! No topo do Getúlio o Pedro viu na trilha uma pequena lesma, uns 4 centímetros. Sorte! Passei a viagem toda sem uma foto de um amiguinho pequeno, eis minha chance. Fotografei e seguimos.


Mais uma lesma pra minha lista de lesmas fotografadas. Essa tinha até neon na saia, tunada!


Chegamos na fazenda do Dilson às 11:25h, só havia um carro além do carro do Pedro, sinal de que aquele pessoal ainda estava no A2 ou retornando. Pedro tomou banho, depois fui eu, jogamos tudo no carro e só paramos no Tio Doca pra comer.

Diálogo comédia entre o Pedro, uma menina do Tio Doca e eu:

Pedro: -Qual é o esquema do preço?
Menina: -Temos a opção de buffet a R$ 14,00, opção de rodízio a R$ 15,00 (pausa)
Menina: -Também temos a opção de Pratão a R$ 12,00 com arroz, feijão, salada e uma carne que pode ser frango, contra filet ou alcatra.
Parofes: - Porra Pedro, rodízio!
Pedro: - ahahahahah fecha com chave de ouro e come direito pô!
Parofes: - O que é um peido pra quem tá cagado?!

Democraticamente optamos pelo rodízio! A comida era mesmo muito boa, ainda mais saindo da montanha e pegando o pacote pronto, sem ter que conectar fogareiro ao gás, buscar água, cozinhar, comer, mijar, cagar, lavar a louça na água gelada da montanha...

Fomos pra Curitiba, passamos na casa do Pedro só pra eu vestir minha bermuda jeans seca e depois ele me deixou na rodoviária as 14:54h, peguei o ônibus das 15:00h pra SP!

O que dizer deste final de semana? Melhor e mais engraçado impossível...

Abraços galera!

Parofes.

Gigantes do Ibitiraquire - parte 1

Tudo começou com uma troca de e-mails na semana retrasada entre eu e o Pedro que infelizmente não resultou em uma data que servisse pra nós dois. Também troquei e-mails com o Julio mas acabamos aguardando uma boa previsão de tempo. Conhecer montanhas como o Pico Ferraria (1.754 m) e Taipabuçú (1.732 m) era desejo tanto meu quanto do Pedro, então, pretendíamos ir juntos e a idéia era ir com o Julio, que ficou ocupado com trabalho.

Os dias foram passando e a vida vai se mostrando mais e mais desafiadora a medida que os problemas pintam e, é preciso se virar pra fazer acontecer. Sofri mais um revés na semana passada e estava muito chateado. Qual é a melhor ferramenta pra um montanhista lutar contra isso? Ir pra montanha. Como que adivinhando o acontecido, o Pedro me mandou um e-mail curiosamente NO MOMENTO em que eu recebia a notícia desgraçada me convidando pra partirmos pro 37° Jantar de Montanha e em seguida pra Serra. Pensei uma meia hora antes de responder com cifrões passando pela minha vista até que pensei novamente “quer saber, pro caralho, vamos pra montanha curtir. Pra quem tá cagado um peido é merda!”. Respondi o e-mail.

Acertamos tudo e na sexta-feira dia 14.05 às 10:00h da manhã eu estava encontrando com o Pedro no Brooklin e lá fomos nós depois do café da manhã pra estrada. Só paramos pra comer um lanche na estrada mesmo, que aliás era junkie food, porém muito melhor e mais barato que McDonalds. Chegamos em Curitiba já no final da tarde, não pegamos trânsito nenhum.

Passamos no mercado pra completar as provisões de montanha. O Pedro compartilha comigo de que não importa como esteja a situação, comer bem na montanha é muito importante. Ele deu idéia de levarmos pizza de frigideira, molho, queijo, orégano e fazermos pizza lá em cima! Completei a idéia com outra de levarmos arroz e carne seca pra um jantar mais elaborado, saindo da trivialidade.

Como esse mundo de montanha é pequeno mesmo. No mercado uma figura me para e pergunta “Cara, qual é o seu nome?”. Bastou eu olhar e reconhecer pelas fotos: Era o Anderson Stein, namorado da Vivian. Trocamos muitas idéias nas épocas que eu tinha orkut. Tentamos diversas vezes marcar de caminhar juntos pela Serra do Mar mas nunca rolou por diferença de agenda. Fomos nos conhecer pessoalmente no mercado que ele trabalha! O mundo de montanhista é mesmo uma cabeça de alfinete. Anderson, fica aqui mais um abraço e um beijão pra Vivian!

Gastamos só R$ 36,00 de comida e seguimos pra casa do Pedro. Chegando lá o Hilton ligou combinando o horário de nos encontrarmos pro 37° jantar de montanha. Desde a 35ª edição eu era curioso para ver como era este evento!

Arrumamos as mochilas, deixando tudo com peso balanceado e preparado para acordarmos, tomarmos café e sairmos pra Serra. Sem pressa e sem crise já que a previsão era ótima para o sábado e domingo. Quando a hora chegou, saímos pro jantar.

Chegamos no horário correto do evento, 19:30h. Ainda estava meio vazio mas isso mudaria com o passar das horas. Finalmente conheci o Hilton Benke pessoalmente, abraço cara!

Aliás, este evento foi sensacional de meu ponto de vista por diversos motivos. Conheci pessoalmente um baita pessoal que geralmente só vejo pela telinha de 22” de meu monitor. Dentre eles o Hilton Benke; Natan Lima, Juliano Santos e Willian Augustynczyk (Nas Nuvens Montanhismo); Fabiula Puglia; Até mesmo o figuraça e super gente fina também Nelson Luiz Penteado Alves (farofa), autor do livro "As montanhas do Marumbi". Também conheci o Vitamina que era socorrista da Serra do Mar e conseguiu fazer a união da galera que escalava (marumbistas) com os socorristas!


Pedro, eu e o Farofa! Foto: Andressa


O jantar foi realmente Histórico, mas senti falta de umas figurinhas que tenho muito apreço como por exemplo o Julio Fiori, que teve de ir a Posadas a trabalho. Seria muito legal também rever o Moisés e a Eliza, pessoal também dez que não pôde comparecer. Fica aqui um abraço a todos (quem vi, revi, e quem não vi)!

O que dizer sobre o jantar? Foi o máximo e eu e o Pedro nos lamentávamos a cada dez minutos por termos deixado as câmeras na casa dele, não fotografamos nada! Cerca de 400 pessoas, todas relacionadas ao montanhismo, andinismo, alpinismo e marumbinismo. Sensacional! O ar era comum e respirado por todos com o mesmo sentimento, e me arrisco a dizer que não só eu, mas todos lá presentes desfrutaram do jantar em uma atmosfera diferenciada de pessoas que normalmente só se vêem na rocha, trilha ou gelo. Eu achei realmente majestoso. A comida não era grande coisa mas ninguém se importou com isso. Respirar toda aquela troca de experiências, "causos" pra cá e pra lá dos mais velhos, marumbistas dos anos 40, 50! Incrível! Certamente estarei na próxima edição do jantar!

Bem, onde estava mesmo? Serra! Isto. Chegamos na casa do Pedro pouco antes de 01:30h da manhã. Caimos rápido pra dormir pois na manhã de sábado sairíamos direto pra Serra sem paradas. Acordamos tarde, tomamos café da manhã tarde e saímos mais tarde ainda! Passamos no McDonalds, compramos sanduíches pequenos e baratos só pra colocar alguma proteína e caloría pra dentro antes de começar a andar. Seguimos pra Fazenda Pico Paraná onde chegamos ao meio dia.

Muitos carros, cerca de 15 ou 20. Sabíamos que veríamos bastante gente na trilha por isso nem adiantava ter pressa pra começar. Comemos o lanche, pegamos água e começamos a subida do Getúlio meia hora depois de nossa chegada à Fazenda.

Fazia muito calor, sol sobre nossas cabeças. Eu como sempre suava horrores. Eu me desgasto muito quando faz calor. Mesmo assim, passamos dois grupos que subiam mais lentos que nós e alcançamos dois casais que estavam no morro apreciando a vista. Sofri pra chegar no topo da trilha do morro do Getúlio. Já cheguei lá como que saído da piscina vestido mesmo. Banhado em meu próprio suor. Fizemos fotos, rápido papo com o pessoal que lá estava, depois colocamos o pé na trilha bastante erodida seguindo adiante para finalmente adentrar à floresta rumo ao Caratuva, nosso primeiro objetivo.


Panorâmica dos 4 cumes que fizemos. Da esquerda pra direita: Ferraria, Taipabuçú, Caratuva e Itapiroca.



"Mafioso" Pedro Hauck no Getúlio


A subida do Caratuva com peso e calor também não foi muito fácil. Na outra vez em que estive lá não fez tanto calor como desta vez. Pedro chegou antes e já batia papo com um pessoal. Cheguei mais tarde uns 2 ou 3 minutos depois de parar uma vez pra fotografar (desculpa de velho decrepto pra descansar). Lá encontramos um pessoal do CPM que vimos no jantar de montanha na noite anterior.


Vídeo que mostra o lindo Taipabuçú e as nuvens represadas pelo colo que o separa do Caratuva


Não podíamos ficar ali muito então só assinamos o livro pra não perder tempo, uma ou outra foto e pronto. Demoramos cerca de três horas pra chegar lá em cima por causa do calor e a hora já beirava 16:00h. Nosso objetivo era chegar ao Taipabuçú, montanha ainda inédita para nós dois, e dormir lá para atacar o Ferraria na manhã seguinte. Nos despedimos do pessoal que já começou a descida e fomos embora descendo pro colo entre as duas montanhas.


Pessoal do CPM descendo do cume do Caratuva pra Fazenda.



Pedro fotografando o Taipabuçú desde o cume do Caratuva. Ao fundo o Ferraria.


A princípio olhando do Caratuva parece ser longe, mas a trilha é bastante batida, muito bem marcada, e a floresta nebular no colo propriamente dito dá um clima muito agradável estilo "The Shire" de um conto de Tolkien. Nuvens represadas pelo canion do Taipabuçú tentavam passar pela montanha a nossa direita. A nossa esquerda ficava uma fazenda sobre um morro bem próximo. Que lugar incrível...

Chegamos no primeiro cume do Taipabuçú já às 17:19h. Não sabíamos onde ficava a fonte de água. Havia um rapaz descendo do cume, fizera de ataque desde o Caratuva. Nos disse que havia água no terceiro cume mas não foi preciso na informação. Assim que chegamos no segundo cume, mais alto, assinamos o caderno do cume. Pedro conseguiu ligar pro Hilton pra pegar informações melhores sobre a água e camping. Ótimo! Voltei sozinho pro primeiro cume enquanto eles se falavam. Minutos depois o Pedro se juntou a mim e decidimos que ele iria atrás da água e eu prepararia nosso acampamento, que na verdade se limitaria a um bivaque.

Lá foi o Pedro, já com as últimas luzes de dia por volta de 17:45h. Eu tirei tudo fora das mochilas, preparei meu bivaque, o do Pedro, fogareiros, separei comida, deixei tudo pronto. Os minutos foram passando, o sol se pôs, fiz mais algumas fotos e me comuniquei com lanterna com os outros acampamentos. Havia gente no A2 do Pico Paraná, no cume do Pico Paraná e também havia gente no cume do Caratuva.


Panorâmica que mostra o Ferraria (esquerda) e o segundo e mais alto cume do Taipabuçú. Vistos do primeiro cume desta montanha.


A noite veio e com ela a escuridão total, Pedro não voltava. Comecei a ficar preocupado e avaliar a possibilidade de ir atrás dele. A hora avançou e quando deu 19:00h pensei comigo mesmo "vou dar mais dez minutos, se ele não vier vou lá procura-lo". Coloquei a bota, me agasalhei, preparei a lanterna e fiquei contando os minutos. Pouco antes de eu ir a lanterna do Pedro despontou no segundo cume do Taipa. Ufa! Gritei perguntando se estava tudo bem e ele respondeu positivamente.

O problema é que a água fica muito mais abaixo do cume, metade do caminho que segue até o colo entre o Taipabuçú e o Ferraria, e como o terreno é bem íngrime e o Pedro já estava desgastado assim como eu, levou mais tempo do que esperávamos, mas no final deu tudo certo.

Fizemos a 38ª edição do Jantar da Montanha! Feijoada com repositor energético SUUM. Como sempre, a feijoada descia a garganta passando antes pelas papilas gustativas deixando um sabor de vida adentrar o corpo...Que coisa boa. Céu estrelado, bastante cansados já, depois do jantar cada um entrou no seu saco de dormir antes das 20:00h. Ao contrário do que eu esperava, dormir rápido, conversamos por umas duas horas e meia, estrelas cadentes cortavam o céu como magia, o papo fluia como água de rio, o sono foi embora.

Finalmente quase onze da noite o papo foi dormir e com ele o Pedro. Eu ainda fiquei acordado fitando o céu do Ibitiraquire, pensando na vida. A última vez que olhei o relógio era por volta de uma da manhã, depois acordei e olhei de novo, era perto das três. Não dormi mais!

O novo dia veio e com ele novos objetivos...

(continua na segunda parte)

Parofes na Aventura & Ação

Olá pessoal!

Já está nas bancas o número 157 da revista Aventura e Ação, e nela está publicado em duas páginas meu relato da investida ao Tarija (5.300m) em abril de 2009. Nesta mesma tentativa eu iria ao Pequeño Alpamayo mas o esgotamento físico por causa de pouca alimentação, pouco sono, neve fofa e muito frio beirando os -20°C me impediram de realizar este sonho.

Particularmente eu acho que tenho relatos muito melhores, mas, tá lá!

Ainda fui agraciado com 1 ano de assinatura gratuita da revista e uma mochila de ataque da Conquista Montanhismo/ Aventura & Ação! Estava precisando mesmo!

Fica aqui meu agradecimento ao Pessoal da A&A, em especial à Lilian Caminha e ao Caique! Abração!


A cara da A&A 157



A reportagem



Sorte minha, sempre fui fã da Conquista e tenho vários ítens. Agora a de ataque também!