terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pedra da Mina - Serra Fina JUL2008

Vamos lá...Mais uma aventura.

Dessa vez resolvi subir a 4ª montanha mais alta do Brasil, sendo que em território 100% nacional ela é a 2ª, perdendo apenas para o Pico da Bandeira que fica na divisa ES/MG.

No primeiro fim de semana de julho, portanto ha mais de um mês, segui para Passa Quatro após combinar com meu amigo do RJ Alexandre e sua namorada Adriana para fazermos o ataque ao cume.

Saí de São Paulo na sexta-feira e após 4,5 horas cheguei na cidade, onde o Alexandre e a Adriana me esperavam de carro. Era meia noite e Já fazia frio, cerca de 5°C. Entrei no carro e pegamos a estrada.

Da Rodoviária pegamos a estrada de ferro da cidade e logo depois um desvio, quando acertamos a estrada de terra que nos levaria a Fazenda Serra Fina. Foram 20km de estrada de terra bem precária, e como o nosso carro era um corsa 1.0l, houve duas ocasiões em que fomos obrigados a descer do carro e empurrar! hahahahah...

Enfim, chegamos a Fazenda Serra Fina por volta de uma e meia da madrugada! Só havia mais um grupo liderado pelo Tacio acampado na entrada da fazenda, isso ajudou bastante porque acreditamos que ao chegar lá seria meio complicado acampar.

O grupo do Tacio saiu cedo, por volta de seis e meia. Nós demoramos mais a nos arrumar e só saímos oito da manhã! Após cerca de uma hora chegamos ao rio onde reabastecemos a água e continuamos após algumas fotos. A trilha é bem marcada apesar de ser bem cansativa.

Não demorou muito e já chegávamos a um mirante. Uma pequena clareira na mata que nos dava uma belíssima visão da Serra Fina, já com um desnível de aproximadamente 300 metros em relação a fazenda. A visão era linda...Continuamos depois de fotografar.

É engraçado como o corpo desidrata rápido na Serra Fina. Quanto mais baixo estamos, maior a oferta de água. Quanto mais alto estamos, menor a oferta de água (óbvio) e portanto o solo é mais árido. A sede é terrível, e parávamos pra beber água de vinte em vinte minutos. Mesmo assim, mesmo com o calor, fazia cerca de 10°C. Tiramos os casacos e continuamos.

As mochilas nem estavam tão pesadas assim, a minha e a do Alexandre com cerca de 20kg, e a da Adriana com menos, entre 10 e 15kg.

Após longas seis horas de trilha paramos para descansar logo depois do capim elefante, onde rola uma escalaminhada em pedra. Nesse momento estávamos exaustos, parecia interminável. Após tanto ler sobre a trilha (pesquisei por duas semanas antes de ir) cheguei a conclusão de que de fato ela merecia a reputação de ser muito exigente em relação a condicionamento físico. A minha única vantagem em relação ao Alexandre e a Adriana é o psicológico. Sou uma fonte interminável de incentivo (encheção de saco ahahahaha) e sempre os forcei a subir mais, em um ritmo mais lento pra que o cansaço levasse mais tempo pra nos pegar até pararmos por mais cinco minutos. Afinal de contas, não tínhamos pressa! Só queríamos o cume, depois voltaríamos pra acampar.



Enquanto almoçávamos fomos ultrapassados por um outro grupo que parecia ser local pelos sotaques, dentre eles havia um mais gordinho. Mais tarde percebemos tratar-se de um grupo que nao respeita nem um pouco a natureza. Mais pra frente explico...
Enfim, o almoço foi providencial, renovou minhas forças por completo! Me senti novo! E nada mais foi que meia horinha sentados e um miojo que parecia um talharim italiano legítimo! ahahahaha

Recomeçamos. Incrível, nem meia hora depois e já estávamos exaustos novamente, Adriana principalmente. Mesmo assim continuamos, demos uma parada antes da reta final e fomos.
Finalmente, perto do pôr do sol após nove horas de caminhada (acho que batemos o record de lentidão ahahahahah) chegamos ao cume. Algumas barracas já armadas o que impossibilitava o nosso camping ali mesmo porque os espaços vazios são cheios de pedras...Tacio e seu grupo estavam lá, batendo fotos e admirando a paisagem...
Nos limitamos a bater algumas fotos, poucas até, e quase que imediatamente iniciamos a descida. Nem sequer assinamos o livro!!!

É, uma besteira mas não assinamos. Adriana mal se aguentava de pé, Alexandre também estava exausto mas dava forças pra namorada, e eu feliz! Obviamente, muito cansado, quase sem forças. Mas a resistência ao frio da Adriana não é a mesma que eu tenho e que o Alexandre tem, resolvemos descer imediatamente pois o sol já já começaria a se pôr.



Tomamos nosso rumo de retorno. Descemos ao pré-cume, passamos pela montanha anterior, voltamos pelas pedras, passamos do capim elefante (estava meio lama, afundando as botas...) e logo chegamos a um pequeno descampado onde só cabe uma barraca. Ali mesmo acampamos. Essa descida levou cerca de uma hora. Foi rápido até...

Nesse descampado já tinha uma fogueira previamente feita, não gosto de fazer fogueiras porém se ela for feita com cuidado, nenhum acidente acontece. Reforçamos o contorno de pedras e queimamos alguns galhos secos pra Adriana se aquecer enquanto montávamos acampamento.
O sol se foi e com ele 15 graus de calor. A temperatura despencou de 16 a 17°C para apenas 1,5°C positivos às 19:00h! Era muito cedo pra fazer tanto frio...Depois percebemos porque de tanto frio, estavamos ao lado de um pequeno riacho (último ponto de água na subida), por isso toda mata a sua volta é bem úmida.

Mais frio, quando deu 20:00h fazia -1,4°C. Pelo menos a barraca estava montada, e agilizamos mais uma comidinha. Atum com sopa. Delícia, comida de deuses ahahahahah....

Nos aprontamos pra dormir, apagamos a fogueira e meia hora depois, devidamente embrulhados na barraca fomos dormir.
Durante a madrugada acordei várias vezes pra ver a temperatura. Deixei mei relógio pendurado do lado de fora da barraca e olha asempre que me lembrava (não consegui dormir muito bem mesmo). A última vez que olhei, era exatamente 03:14h e fazia: -8,2°C!
Muito frio, a barraca tinha gelo pra todo lado, eu não sentia minhas orelhas e percebi que estávamos muito frias e duras! Coloquei minha toca e voltei pra barraca mas não consegui tirar foto do relógio marcando a temperatura...

Quando amanheceu (por volta de 06:00h) levantei após uns 20 minutos de sol e comecei a bater fotos da barraca coberta de gelo. Foi divertido! Batemos várias fotos e só depois que o gelo derreteu começamos a tomar nosso café da manhã.

Depois do café, levantar acampamento, secar a barraca e seguir rumo a fazenda Serra Fina! Na volta a constatação desagradável. Aquele grupo que estava exatamente atrás de nós fez uma tremenda sujeirada na trilha! Largaram potes de cup noodles (recolhemos todos que vimos), embalagens de BIS que também pegamos, além de arroz dentro da fonte de água e vários, vários pedaços de papel higiênico, que apesar dos pesares, era o de menor problema visto que o papel é bio-degradável. Mas porra, custava ensacar e levar pra jogar fora em um local apropriado???

Em apenas cinco horas descemos, fazendo uma breve parada no rio, onde Adriana tomou um banho. Nessa parada o Tácio passou por nós com seu grupo e me disse que no cume pegaram -2°C. Quando disse a ele quanto pegamos ele se surpreendeu, achou estranho. Mas na verdade eu não acho muito difícil visto que eles estavam em um local muito seco e nós em um local muito úmido, cerca de 200 metros a menos de altitude.
Ainda na parada o grupo porcalhão chegou, pararam e também reabasteceram os cantis.
Um deles percebeu os sacos de lixo amarrados nas nossas mochilas e provavelmente viram os potes que eles mesmo largaram na trilha. Obviamente perceberam e não puxaram um assunto sequer, nem uma palavra!

Seguiram rumo junto do grupo do Tacio e sumiram na mata. Ainda ficamos mais alguns minutos e logo depois fomos. Quando chegamos na fazenda (meia hora depois) todos já haviam sumido.

Enfim, foi uma aventura legal, desafiadora, cansativa, e empolgante!

O próximo objetivo é a divisa de Extrema, Monte Verde e Joanópolis, subindo 4 picos. Mais leve porém com visual reconhecido!
Após essas montanhas, já agendei com um casal amigo em 26, 27 e 28 de setembro a subida dos picos Camapuã e Tucum na Serra do Mar, no Paraná.






É isso aí!

2 comentários:

Daiana Costa disse...

Altas aventuras! \o/

E é triste ver essas pessoas com tanta falta de educação e respeito com o meio ambiente. Elas agem como se o meio fosse separado delas, e não tem a mínima noção de que somos todos parte de uma coisa só. Lamentável.

Alex disse...

No ano passado quando eu fui, tiver que recolher o lixo dos porcos tambem, e alem do mais, achei uma barraca da trilhas e rumos toda quebrada.
ao inves de levar e descartar em local apropriado, deixaram lá.
mas acabei reformando ela, e está novinha em folha.

Enfim, estou indo hoje de madrugada, vou aproveitar e pegar o feriadao pra ficar 2 dias lá na pedra da mina. Curti muito seu diario de bordo!

Um abraço, amigo.
E boas aventuras!